Paulo Roberto Ferreira

Roubaram a bicicleta do ladrão. Este foi o título da chamada de capa do jornal Diário do Pará, desta sexta-feira, dia 5 de agosto. O assaltante foi apanhado em flagrante, na esquina da avenida Almirante Barroso com a travessa Humaitá, em Belém, após tomar um relógio de pulso de uma moça. Foi agarrado por populares mas se livrou do linchamento com a chegada de policiais militares. Na confusão, puxa daqui, puxa dali, levaram a bicicleta do assaltante, que fez questão de registrar a ocorrência, assim ingressou na delegacia.

Este episódio me lembrou o caso de uma senhora que foi assaltada no Ver-O-Peso e reagiu. Gritou, correu e o ladrão acabou agarrado pela polícia. A mulher recuperou o dinheiro dela e mais um excedente. O meliante protestou, mas ela afirmou diante dos policiais que a toda a bolada era sua. E saiu de perto o mais rápido que pode. A esperteza foi apoiada por todos. Porém precisamos romper com o velho ditado que diz: ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão. O nosso desafio é outro. 

Tem gente que rouba o sonho das pessoas quando corta programas e políticas sociais voltadas aos que mais precisam. E alguns ainda festejam. Tem gente furta o bem precioso de uma nação, a democracia, forjando fatos para justificar a posse ilegítima emcargos, afastando quem chegou ao poder ratificado pelo voto popular.

Tem gente que afana, diariamente, o direito à informação de milhões de pessoas, obrigadas a consumir aquilo que é de interesse dos donos da mídia. Tem gente que pilhao sonho de mudança qualitativa de um país, quando não valoriza nem prioriza o investimento em ciência, tecnologia e inovação.

Tem gente que rouba o futuro do país quando trama a entrega da extração, comercialização e destinação dos lucros de riquezas naturais às corporações transnacionais. Promove assalto o que deseja mudar as regras, aprovadas pelo Congresso Nacional, destinando à educação, parte dos recursos do petróleo extraído da camada do pré-sal.

Promovem crime de gatunagem os que desejam destruir instituições como a Petrobrás, porque estão a serviço de grupos políticos poderosos, interessados em quebrar a estatal brasileira e manter a dependência às superpotências que controlam a geopolítica mundial. 

Muita gente ainda não enxerga esse tipo de desfalque. O nosso desafio é romper com essa lógica. Eu sonho que um dia não haverá mais espaço aos ladrões da democracia. Aos espertos, oportunistas e manipuladores da opinião pública. Eu sonho com a ampliação da consciência democrática do nosso povo, capaz de produzir uma força baseada no exercício da ética; do respeito às diferenças; do acatamento ao resultado das urnas; de compromisso com o futuro da nação; de repúdio a toda forma de preconceito e violência; de tolerância religiosa, sexual e de liberdade de expressão e pensamento. 

O combate aos espoliadores de sonhos deve ser feita todos os dias. Não importam os reveses. É preciso avançar, apostar na educação que transforma. Cada um de nós pode ser a mudança que o país tanto necessita. Adotando a postura de banir do nosso cotidiano qualquer comportamento baseado em rapinagem, usurpação, saqueio, pirataria, gatunagem, extorsão e agiotagem. Não deixe que roube seu sonho de viver num país digno, inclusivo e soberano. Esse é o nosso desafio.




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