Paulo Roberto Ferreira

Setembro já se aproxima e começa também a temporada da florada do ipê-rosa. Em alguns trechos da avenida Almirante Barroso, entre Júlio César e Tavares Bastos, em Belém, várias árvores exibem as suas belas flores, dando ao espaço público um colorido diferente, pois quebra a aridez do asfalto, do concreto da subutilizada pista do BRT, e da frenética circulação de veículos nas demais vias de rolamento.

O ipê-rosa, é uma planta brasileira que tem o nome científico de handroanthus. Estranho, né? Mas é assim mesmo. Nomes de bichos e plantas tem o latim como a língua oficial da ciência. Facilita o reconhecimento universal. Trata-se de um acordo. É por isso que a palmeira do açaí tem o nome de euterpe oleracea. A castanha-do-pará, de bertholletia excelsa.

E aí a gente fica curioso em saber o porquê a ciência se utiliza de uma língua praticamente morta. Para evitar confusão e facilitar o reconhecimento. Por exemplo, o cachorro é escrito em inglês dog e em francês chien. O Mesmo cão é chamado de perro em espanhol.

Ou seja, em cada lugar do mundo o mesmo animal tem um nome popular ou vulgar. Então a ciência padroniza e universaliza para os pesquisadores. O cachorro, que nós costumamos chamar de melhor amigo do homem, passa a ser canis familiaris.

O abacaxi, que agora está em plena safra, é conhecido por ananas comosus. Aqui pelo Norte do Brasil a fruta é chamada também como ananás. Mas, cuidado, existem certas variações que podem nos levar a engano. Por exemplo, o annas erectifolius é o conhecido curauá. E o que é o curauá? Uma bromélia semelhante a planta do abacaxi, que até produz um fruto pequeno, mas a sua principal riqueza está nas folhas, nas fibras utilizadas para substituir a fibra de vidro.

Muitos carros brasileiros já contam com painéis feitos com o uso da fibra do cuauá, que se reproduz muito nos municípios do Baixo Amazonas, especialmente em Santarém. O mel de abelha, largamente utilizado nas dietas alimentares, é fabricado pela apis mellifera, a conhecida abelha-europeia. Mas existe o mel da abelha nativa, também chamada de abelha sem ferrão que tem o nome científico diferente, são as meliponinis.

O búfalo, de origem asiática, cujo maior rebanho brasileiro está no arquipélago do Marajó, tem o nome científico de bubalus. O pirarucu, espécie nobre de peixe amazônico, arapaima gigas. E o saboroso acari? É o hipostomus affinis. Surubim é o pseudoplatystoma corruscans. Qual o nome científico da deliciosa fruta cupuaçu? Theobroma gradiflorum. E o bacuruí? Platonia Insignis.

Peixes saborosos, frutas gostosas, isso atiça a vontade de apreciar ainda mais ou conhecer a culinária amazônica. Mas não vamos chegar no “Mascote”, em Santarém, ou no “Avenida”, em Belém, e pedir um arapaima gigas, de forno, no molho do ananas comosus. E a sobremesa de theobrama gradiflorum, queijo de bubalus e mel de apis mellifera.

É bem possível que o garçom fique meio assustado. Mas também pode nos surpreender, positivamente, e nos oferecer uma caldeirada de pseudoplatystoma corruscans e sobremesa de creme de platonia insignis ou uma tijela de euterpe oleracea com farinha de tapioca. Aí já é demais! Pede uma rede embaixo de um bosque, de preferência que tenha uma handroanthus no meio do arvoredo.




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