Lúcio Flávio Pinto

O PIB brasileiro deverá crescer 1,5% no próximo ano. A expansão do PIB da Amazônia poderá chegar a 3,9%. Será a região de melhor desempenho do país, graças ao incremento ainda maior da indústria. O setor deverá ficar 7,2% maior em 2017, desempenho três vezes acima da média nacional, impulsionado pela Zona Franca de Manaus e pela entrada em operação, em janeiro, da nova mina de minério de ferro da Vale em Carajás, no S11D, na qual foram investidos quase 15 bilhões de dólares (mais de 50 bilhões de reais, ou duas vezes o orçamento do Pará).

Em Manaus, a Zona Franca irá apenas recuperar (e, provavelmente, apenas em parte)  o que perdeu em virtude da recessão do país nos últimos anos, que pesou mais sobre a indústria. No Pará, porém, é atividade nova que surge, a partir da extração de minério do mais alto teor do mercado de ferro no mundo, com uma produção que quase se equipara à da primeira mina de Carajás, na Serra Norte. O S11D chegou a empregar 30 mil pessoas na sua fase de implantação.

Apesar dessa projeção positiva feita pela consultora Tendências, o potencial de consumo da região Norte, calculada por outra consultora, a IPC Marketing, é de apenas 233 bilhões de reais, que representa 6% do atual potencial brasileiro. Antes dos ventos favoráveis que os técnicos preveem que vai soprar sobre a Amazônia em 2017, a economia nortista já corresponde a 5,5% do potencial do país.

Por que tão pouca expressão para notícias apregoadas como magníficas pela grande imprensa local? Porque S11D exporta matéria prima, não paga ICMS porque exporta, é concentrador no ponto de origem da mercadoria, seu efeito multiplicador age além-mar e o Para, como a Amazônia, e (quase) o Brasil, é colonizado.

Tantas alvíssaras, portanto, para tão pouco.




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