Lúcio Flávio Pinto

Tião Miranda começou a exercer mais um mandato de prefeito de Marabá sem precisar que seus adversários políticos lhe façam mais mal do que ele próprio. Em 48 heras ele renunciou e "desrenunciou" ao cargo, acabando por assumi-lo, ontem. Alegou que a campanha eleitoral fora dura demais, tirando-lhe a energia e a confiança na própria capacidade de cumprir os deveres e assumir os encargos da prefeitura do quarto maior município do Pará. O motivo: uma depressão profunda, que começara meses antes e o levara a procurar ajuda em São Paulo.

Depois de mandar protocolar sua carta-renúncia na câmara de vereadores, na sexta-feira, mudou de ideia. Não por se sentir curado da depressão ou tê-la sob controle, mas pela repercussão dos seus atos na rede social. Ora: estava ou não estava psicologicamente em condições de receber o pesado fardo que a administração desastrada de João Salame lhe deixou? Se não está em condições, por que se arriscar a faltar à cobrança que inevitavelmente lhe será feita?

Os adversários desconfiam de uma manobra política, embora  objetivo dessa iniciativa não esteja esclarecido. Parece não ter tido o propósito de colocar no cargo o vice-prefeito Toni Cunha, que é de outro partido, o Rede Solidariedade, do titular, do PTB. Toni não parece ter sido consultado nem quando da renúncia nem da desistência a ela. Como não esconde seu propósito de ter voz ativa na gestão que começa, se irritou e foi cobrar explicações.

O desentendimento parece ter sido contornado. Mas se verdadeiro o fato, ele demonstra que o vai-e-vem de Tião Miranda não foi para colocar no cargo alguém que não teria condições de ser eleito pelo voto popular, embora o delegado, 25 anos mais novo e há 10 anos exercendo o cargo de delegado da Polícia Federal, com ingresso na corporação através de concurso, oferecesse motivos para esse ardil. Certamente está muito mais em condições de responder ao clamor dos marabaenses do que Tião, doente (se está assim) aos 59 anos.

Qualquer que seja a hipótese verdadeira, uma coisa é certa: ninguém poderia fazer mais mal ao novo prefeito do que ele. O que prejudicou foi sua própria legitimidade. Para recuperá-la, vai ter que trabalhar mais do que parecia necessário apenas pelos erros do seu antecessor. A eles soma-se agora o erro de Tião Miranda.




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