Lúcio Flávio Pinto

Em 48 horas, desde sexta-feira passada, 30 pessoas foram mortas violentamente em Belém. Das quais 25 executadas, quase certamente, por Policiais Militares transformados em milicianos, vingando - à sua maneira - o soldado Rafael da Costa Costa. Ele foi morto durante um tiroteio dos PMs, que perseguiam um carro transportando suspeitos de um sequestro relâmpago. Quatro homens desceram ao serem interceptados. No fogo cruzado, o PM foi acertado na cabeça e morreu.

Seus  companheiros foram atrás do bando e mataram um dos seus supostos integrantes, executado dentro da casa em que se refugiara. A partir daí, provavelmente em dois carros, já sem a farda e encapuzados, os policiais mataram aleatoriamente (e também com base nas informações que tinham sobre a localização de pessoas com antecedentes criminais) mais 24 pessoas.

Enquanto os milicianos agiam em 16 bairros, a rotina de crimes de morte de todos os dias prosseguiu, Foi mantida a média de cinco assassinatos por dia nas 48 horas em que a força policial estava supostamente mobilizada para caçar os autores do novo e mais grave matança em série de Belém.

Significa que os bandidos ordinários continuam a sua prática de liquidar desafetos, cobrar com sangue dívidas de drogas, praticar latrocínios e disparar contra inocentes como se a polícia não estivesse em alerta nas ruas. Como se continuasse a cumprir a mecânica da repressão, da omissão ou da conivência.

Por isso, ao invés de obrigar a corporação a cumprir o seu dever, cortando na própria carne, para identificar, prender e expulsar os colegas que abusam das prerrogativas de agir armados contra violadores das normas legais, matando a esmo, fazendo justiça pelas próprias mãos, o governador Simão Jatene preferiu recorrer ao Ministério da Justiça?

Sabendo que não conta com a isenção da sua polícia, ou reconhecendo sua incompetência, lançou logo mão da Força Nacional? É a sua declaração de temor de que suas ordens não sejam cumpridas? É a falta de voz de comando? É a admissão da ruindade da polícia paraense? Ou é tudo isso e mais, os fatores recebendo o acréscimo da incompetência do governo estadual, a partir do seu governador e do responsável pelo setor, o secretário de segurança pública?

À sanha de policiais que agem como senhores medievais, donos da vida e da morte, quando deviam ser a polícia judicial, agregando-se a selvageria dos criminosos que circulam impunemente pelas ruas, indiferentes à presença do aparato repressivo, que tão bem conhecem (e vice-versa), onde fica a sociedade nessa combinação maléfica e assustadora?

São passados quase 40 meses da mais sangrenta execução em série por policiais da história de Belém, a de novembro de 2014, a partir da morte de um cabo afastado da função por medida disciplinar e considerado chefe de milícia. A nova versão, é duas vezes e meia mais sangrenta e, 48 horas, não há um só matador identificado. O que dizer da segurança pública do Pará, se, de tudo que foi feito no primeiro caso, resultou em prisão zero e história inconclusa, pela fata de sentença final no processo judicial instaurado contra oito militares presos e todos soltos depois?

Chamem o bispo.




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