Agência Pará

"Já superamos a fase onde se comemorava qualquer projeto para a Amazônia. Sermos escolhidos já não nos basta. Queremos escolher os projetos para a Amazônia. É nesse sentido que nosso esforço conjunto, aumentando nossa voz e nosso coro, pode ser um importante e fundamental passo para a construção desse novo momento". A afirmação, em tom de saudação pelo avanço das etapas de criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, foi feita pelo governador Simão Jatene durante reunião técnica realizada quinta-feira (26), dentro da programação do 16º Fórum de Governadores da Amazônia, que nesta edição é sediado em Rio Branco, capital do Acre.

Governadores e vice-governadores dos nove Estados que compõem a Amazônia Legal participam do evento, que iniciou na manhã desta quinta, com reuniões das câmaras técnicas de meio ambiente, segurança, comunicação e de gestão, e marca mais um passo para a etapa final de formalização do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal.

Nesta semana, com a aprovação do projeto de lei que trata do tema pelas Assembleias Legislativas do Pará e do Tocantins, o grupo já possui número suficiente para ser formalizado. Apenas o Amazonas, que teve mudança recente da gestão do governo, está encaminhando o tema junto ao parlamento estadual.

O governador do Acre, Tião Viana, anfitrião desta edição do Fórum, agradeceu o bom quórum presente nas discussões técnicas e dos governadores para elaboração de documentos e estratégia para atuação em conjunto pela região. "Está muito claro para todos nós que apenas unindo forças podemos avançar e conquistar mais avanço, mais financiamento e mais investimentos nas mais diversas áreas, que é algo fundamental para nossa região", destacou.

Para o governador Simão Jatene, o Fórum fortalece o reconhecimento dos próprios entes federativos que compõem a Amazônia em dedicar-se a atuar de forma conjunta, unindo-se através da diversidade da região para trabalhar pelo desenvolvimento sustentável conjunto.

"O país, mesmo sendo uma federação, ainda não soube como se valer da sua diversidade para reduzir a desigualdade. A Amazônia tem um duplo papel. E um deles é prestar serviços ambientais em escala planetária. Porém, isso só será possível se a Amazônia também for base de vida digna para a população que vive na região", destacou.

Representando o ministro do Meio Ambiente, o secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Everton Lucero, afirmou que o ministério tem buscado aperfeiçoar e aproximar o diálogo com os Estados e municípios da Amazônia, para fortalecer uma mensagem mais coesa. "A nossa causa é comum e a mensagem do país precisa ser comum, de que o governo federal e os estados estão juntos. Essa mensagem precisa ser clara. Temos consciência de que a floresta amazônica presta serviços ambientais para a humanidade, como servir de estoque de carbono, manter a conservação da biodiversidade, gerar acúmulo de conhecimento de comunidades tradicionais, entre tantos outros. E esses serviços precisam ser devidamente valorados e reconhecidos. Queremos que o mundo reconheça e saiba que a manutenção da floresta só é possível com desenvolvimento sustentável", destacou Lucero.

O governador Confúcio Moura, de Rondônia, destacou que a criação do Consórcio para ações conjuntas é fundamental para o desenvolvimento da Amazônia. "O Pará, por exemplo, tem uma das melhores tecnologias na área de meio ambiente, para monitoramento. E esse serviço pode ser compartilhado, pois é um modelo. Temos que usar nossas forças em cada área para trabalharmos em conjunto e deixarmos de ser submissos. A Amazônia precisa ser mais ousada, mais indisciplinada", destacou o governador.

Segurança na pauta

Além do Fórum de Governadores da Amazônia, Rio Branco sedia nesta sexta-feira (27), o Encontro de Governadores do Brasil pela Segurança e Controle das Fronteiras – Narcotráfico, uma emergência nacional. A reunião é a primeira dessa natureza realizada no país. Devem participar do evento, representantes da Presidência da República, ministérios da Integração, Defesa, Meio Ambiente e Justiça, Procuradoria Geral da República, Supremo Tribunal Federal (STF), Senado, Câmara Federal, Colegiado de Procuradores do Brasil, Conselho dos Tribunais de Justiça do Brasil, além de embaixadores e governadores da Bolívia, Peru e Colômbia, Comando Militar da Amazônia e Comando do Exército Brasileiro.

“A fronteira amazônica é um grande indutor, porque é muito extensa, na sua maioria seca, sofrendo a ação de organizações criminosas com o ingresso no Brasil de armas e drogas. Vão estar no encontro todas as autoridades para discutir um grande pacto que possa fortalecer as fronteiras brasileiras”, salienta a chefe da Casa Civil do Acre, Márcia Regina.

O principal foco do evento, conforme Márcia, é a criação do Sistema Nacional de Segurança Pública, com um fundo nacional de financiamento, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, espera-se firmar um pacto com os países vizinhos e fazer o alinhamento da atuação dos sistemas de inteligências do Brasil para combater o avanço do narcotráfico.




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Última modificação em Sexta, 27 Outubro 2017 10:08