Fundo Dema

Considerada uma das maiores áreas de floresta tropical em proteção na América do Sul, com uma área de 2.313.000 hectares, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, localizada no estado do Amazonas, foi o cenário do intercâmbio realizado entre as famílias pescadoras da localidade e moradores do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande e da Reserva Extrativista (RESEX) Tapajós Arapiuns, ambos localizados na região do Baixo Amazonas, Oeste do Pará. 

Com o objetivo de incentivar a troca de conhecimento ente as famílias – que, em meio a outras atividades dependem da pesca para viver –, a parceria entre a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) Programa Amazônia, o Fundo Dema e a Fundação Ford possibilitou um encontro coletivo a partir da articulação com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Realizado no período de 15 a 20 de outubro, este encontro apresentou aos visitantes a experiência de manejo participativo de pirarucu, que tem estimulado o desenvolvimento de iniciativas similares em diversas regiões da Pan Amazônia. 

A experiência foi iniciada com visita ao Instituto Mamirauá, no município de Tefé (AM), onde os participantes puderam vivenciar o histórico de assessoria às comunidades voltada ao manejo do pirarucu e a organização dos pescadores para o desenvolvimento de um sistema de manejo participativo sustentável, iniciado ainda na década de 90 devido à intensa exploração comercial de pirarucu e com a proibição da pesca durante todo o ano. 

A medida afetou inúmeras famílias que residiam em áreas de várzea e tinham a venda do pirarucu como importante componente de sua renda. No entanto, por se tratar de uma atividade de subsistência, considerando que a agricultura e a pesca são as principais atividades econômicas da população do Médio Solimões, os próprios pescadores, com o apoio do Instituto Mamirauá, tomaram a iniciativa de promover o trabalho de forma legalizada, conquistando a autorização para a pesca do pirarucu voltada a um sistema manejado. 

Foi importante saber o que esses pescadores passaram. Foi uma vida muito sofrida. As grandes geleiras atacavam por lá e por isso a população de pirarucu diminuiu. Com isso, houve a proibição do pescado e as famílias locais é que foram prejudicadas.

A atividade de manejo da pesca é muito importante e é essa experiência que levaremos para compartilhar com famílias da Resex e do PAE Lago Grande, em Santarém”, relata Marilene Rocha, representante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santarém e membro do Comitê Gestor do Fundo Dema.

A partir do segundo dia de atividade, a equipe paraense seguiu para a RDS Amanã, que fica situada na região do médio curso do rio Solimões, próximo à confluência com o rio Japurá, a Oeste da cidade de Manaus (AM).

Criada em 1998 e com uma população de aproximadamente 4 mil pessoas, a RDS Amanã possui três sistemas de manejo de pesca, entre os quais Coraci, Pantaleão e Paraná Velho. Junto à Reserva Extrativista de Mamirauá, que também é assessorada pelo Instituto Mamirauá, somam-se 25 comunidades ribeirinhas envolvidas, que chegam a produzir cerca de 300 toneladas de pirarucu ao ano.

Valorização dos bens comuns

Ameaçadas pela exploração da pesca em larga escala, as famílias pescadoras da RDS Amanã se uniram e elas próprias somaram esforços de forma a contribuir à valorização e à garantia do pescado enquanto um bem comum. Para isso, criaram os acordos de pesca, definindo normas voltadas à regularização da pesca conforme os interesses do grupo, juntamente com a conservação dos estoques pesqueiros, e que foram reconhecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

De acordo com Samis Vieira, educador da Fase que participou do intercâmbio, os principais desafios da proposta de manejo estavam na recuperação dos estoques de pirarucu em seus ambientes naturais e o estabelecimento de uma exploração sustentável pensando nas futuras gerações, uma vez que o pescado é considerado a base da dieta alimentar das populações ribeirinhas. Além disso, a proposta de valorização do pirarucu passou a contribuir para a melhoria de renda das famílias.

“O processo de sensibilização sobre a conservação dos recursos naturais, o modelo organizacional construído, o trabalho conjunto na pesca, a participação em capacitações, a vigilância de lagos, o beneficiamento e a comercialização do pescado foram de fundamental importância para recuperação dos estoques de pirarucu de forma sustentável”, considera Samis.

 




Comente no Site (Clique Aqui)


Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Comente no Facebook (Clique Aqui)


Última modificação em Quarta, 08 Novembro 2017 13:40