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Reportagem publicada neste domingo pela Folha de São Paulo revela uma disputa entre grupos de índios mundurucu acerca do funcionamento de atividade garimpeira na Terra Indígena Mundurucu e na Floresta Nacional do Crepori, no sudoeste do Pará.

Segundo a reportagem do correspondente em Manaus, Flávio Maisonnave , "Cansados de esperar por uma intervenção do Estado, guerreiros e lideranças da etnia, incluindo o cacique-geral, Arnaldo Kaba, organizaram uma expedição para expulsar os garimpeiros nãoindígenas do local. Em seis lanchas, viajaram dezenas de guerreiros armados com flechas e espingardas de caça, mulheres, crianças e idosos.

A iniciativa foi precedida por um duro comunicado do Movimento Ipereg  Ayu ("povo que sabe se defender"). Contrário a todo tipo de garimpo, tem forte participação de mulheres e é responsável por protestos ousados, como a tomada da usina Belo Monte, em 2013. Ações como essa renderam aos mundurucus, com cerca de 14 mil pessoas, a reputação de etnia aguerrida e combativa.

Com "muita dor e vergonha", o movimento diz que a aldeia PV, cooptada e cercada pelo garimpo, "não existe mais". Prometeu expulsar os garimpeiros pariwat (brancos) e destruir seu maquinário. E acusa o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o Ministério Público Federal de "ficar no escritório ou fazendo reunião".

Ao mesmo tempo, muitos mundurucu dessas aldeias, sobretudo os homens, trabalham ou já passaram por garimpos de ouro, há várias décadas a principal atividade econômica da região do Tapajós.

A parte mais crítica da viagem começou a 7 km da aldeia PV, em linha reta. A partir dali, onde há um grande garimpo dentro da Flona do Crepori, a expedição subiu pelo igarapé Massaranduba, que corre apenas dentro da terra indígena e é o principal afluente do rio das Tropas.

É uma ponte aérea entre o garimpo e o Creporizão, distrito de Itaituba (PA) e fonte de abastecimento de comida, combustível, bebida alcoólica e insumos para o garimpo.

"Isso aconteceu por causa do cacique [Osvaldo Wuaru]. Ele autorizou, e o filho dele [João] acelerou", disse o cacique-geral. "O índio é fraco para vigiar", relatou à Folha um guerreiro mundurucu.

A reportagem revela que há divisão entre os índios:

"Os senhores têm de sair". Os garimpeiros "convidados" por mundurucus, explicou o cacique-geral, poderão se retirar após negociar um prazo.

Falando em seguida, o cacique da aldeia PV, Osvaldo Wuaru, foi menos enfático. Em vez de reforçar a ordem de expulsão, decidida em reuniões preparatórias, falou sobre promessas não cumpridas, principalmente um poço artesiano para substituir a água barrenta consumida pelos mundurucus.

Foi a deixa para os garimpeiros renovarem promessas de ajuda.

No final, os guerreiros mundurucus separaram os "donos de máquina" dos demais garimpeiros. Contaram 50, dos quais 39 nãoindígenas, obrigados a dar o nome, o número de máquinas e a cidade de origem.

Entre os mais poderosos está Eduardo Martins, que também faz as vezes de pastor no garimpo. Com três PCs na área, avaliadas em até R$ 600 mil, ele prometeu fazer dois tanques de peixe, pagar o poço artesiano e até trazer deputado para falar com os mundurucus.

Entre os mundurucus, o mais influente é Valmar  Kaba, um dos pouquíssimos indígenas que enriqueceram com o garimpo. Dono de dois PCs, segundo relatos, ele foi representado por um nãoindígena.

Os guerreiros deixaram o garimpo na manhã do último dia 27, para alívio dos garimpeiros. Mas a promessa é voltar dentro de 30 dias, desta vez para expulsar os invasores: "Aí virão todas as aldeias. É isso que estamos avisando".

Leia a reportagem completa e a resposta dos órgãos responsáveis pela fiscalização de atividades ilegais na terra Indígena Mundurucu no link abaixo:

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/02/indios-tentam-fechar-megagarimpo-ilegal-que-polui-rio-no-para.shtml




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Última modificação em Domingo, 04 Fevereiro 2018 14:24