Edson Matoso

Concluo nesta semana um levantamento a partir de 2001, inicio de novo milênio, sobre a evolução da participação do interior do Pará, considerando que no século passado a supremacia era de Belém. Como campeões regionais, até 2000, Remo e Paysandu se revezaram com poucas interrupções das vitórias da Tuna Luso, também de Belém, e os dois primeiros campeonatos do século vencidos pelo extinto União Esportiva, outro da capital.

Semana passada destaquei que a partir de 2009, das oito equipes disputantes cinco eram do interior, o futebol da capital e região passou a ter queda significativa. A invasão cabocla seguiu em 2010 e dos oito competidores cinco eram do interior, 37,5% de Belém enquanto que a participação interiorana estabelecia 62,5%. Tal distribuição se manteve até a atual temporada. Em 2014 o crescimento da participação do esporte bretão fora do eixo da capital e região atinge 75% com Paragominas, Santa Cruz-Cuiarana, São Francisco-Santarém, Cametá, Independente-Tucuruí e o sexto representante que está entre Gavião e Águia, ambos de Marabá, Parauapebas e São Raimundo-Santarém, estes com remotas chances. De Belém apenas Remo e Paysandu, quem diria!

A presença do futebol de além Região Metropolitana de Belém (RMB) que vai até o município de Santa Izabel, não tem se limitado apenas em, usando o princípio olímpico do Barão de Cobertin, “o importante não é vencer, mas competir”, negativo, eles chegaram para ficar. Alguns pararam pelo meio do caminho. Outros tentam reequilibrar a partir das finanças e da credibilidade junto as suas torcidas. A maioria dos times sempre acusada por torcedores, dirigentes e grande parte da mídia metropolitana de “isso tudo é time de político”, como se o futebol brasileiro não estivesse umbilicalmente ligado a políticos. Os mais constantes e que já superam tais conceitos são os santarenos do RAIFRAN e o Águia de Marabá além dos novatos vindos de Tucuruí e Cametá, que patrocinados de todo e/ou em parte por políticos já se sagraram campeões prestigiando a prata da casa e derrotando os maiorais que insistem em contratações caras e nem sempre de bom proveito indo de encontro aos seus melhores momentos nacionais, quando valorizavam a mão de obra regional.

Sempre se tratou o Parazão assim: o título de campeão é de 50% para o Remo e 50% do Paysandu. Não é mais assim. Desde 2001 a história mudou mesmo. A Tuna Luso Brasileira (10 vezes campeã paraense) que intercalou no século passado as 38 conquistas do Remo e as 39 do Paysandu hoje luta contra o rebaixamento à segunda divisão regional. Os dois gigantes Leão e Papão não levam boa vida, apesar da vantagem em campeonatos conquistados. Os remistas levantaram quatro vezes a taça enquanto que os bicolores já venceram sete vezes (curioso é que o Remo foi hepta campeão paraense de 1913/1919 enquanto que o Paysandu até aqui teve sete, mas alternados, sendo três vezes BI campeão: 2001/02; 2005/06 e 2009/10 e o de 2013).

Os interioranos desafiaram paradigmas com Idependente-Tucurui campeão em 2011, o primeiro de fora da RMB, e com o Cametá ganhador em 2012. Outros dados podem ser contados. Desde 2008, com Remo x Águia-Marabá, a decisão do Parazão sempre está entre capital e interior: em 2009 São Raimundo-Santarém x Paysandu; 2010 Paysandu x Águia-Marabá; 2011 Paysandu x Independente-Tucurui; 2012 Remo x Cametá e 2013 Paysandu x Paragominas. Foram seis decisões com jogos lá e cá, cinco em Belém o que não impediu Galo Elétrico (Tucuruí) e Mapará (Cametá) de garantirem suas conquistas dentro do Mangueirão frente a Paysandu e Remo respectivamente.

Que venha 2014. Remo e Paysandu já começaram a fazer o que mais gostam: olhar com “o rabo do olho” as suas crias e com “olhos arregalados” as cobiçadas contratações de importados. E os interioranos, maioria esmagadora do Parazão, o que preparam dessa vez?

Até a próxima.




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Última modificação em Sexta, 06 Dezembro 2013 18:21

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