Ruth Rendeiro

Já estou finalizando o guarda-roupa verde amarelo. Sou dessas torcedoras que faz questão de ter tudo (ou quase) que marcam os campeonatos. Costume adquirido na “baixa” da Conselheiro Furtado, em Belém, quando era adolescente. Lá pintávamos a rua inteira. Não precisava ter talento. Apenas disposição. A Taça Jules Rimet ou os nomes (e os rostos) dos jogadores e muita bandeirinha verde e amarela, que nós mesmos confeccionávamos, enfeitavam a rua.

Com o tempo a concentração passou a ser de bar em bar. Aquele com a maior TV, a cerveja mais gelada e mais amigos. Balões (bexigas em São Paulo), mais bandeirinhas e muita animação. Às vezes o estado etílico era tão acentuado que ao final do jogo ninguém sequer sabia quem tinha sido o vencedor. Pequeno detalhe.

O compromisso se renova a cada quatro anos e o verde e amarelo se sofistica. Antes bastava uma camisa, cópia infiel da oficial da seleção, para que estivéssemos a caráter. Hoje há centenas de opções que vão de uma bermuda de grife a vestidos estilizados nem sempre explicitamente homenageando o Brasil, mas nem por isso menos belos.

Uma calça qualquer, uma blusa verde e amarela, um fita de bolinhas de igual cor nos cabelos, a bandeira na mão e muita cerveja, além de algumas orações, compõem o cenário. Infalível mesmo será a minha mãe. A torcedora mais fervorosa. Prestes a completar 79 anos, sabe tudo de seleção, da história dos jogadores e faz mandingas baixinho. Figa nos dedos quando o adversário pega na bola. Figa desfeita quando são os brasileiros. Algumas vezes a superstição funcionou. Ela assistiu as copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.




Comente no Site (Clique Aqui)


Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Comente no Facebook (Clique Aqui)



NOTÍCIAS RELACIONADAS

  • Leia Mais Notícias de Ruth Rendeiro