Ruth Rendeiro

Um país místico e diversificado como o nosso não poderia deixar a Copa distante do místico, das crenças de que as pernas dos 10 jogadores e pés e mãos de um são suficientes para decidir os placares. É preciso crer em algo mais, ir buscar ajuda em entes superiores, deuses que muitos só procuram de quatro em quatro anos. Muitos santos, coitados,.ficam amarrados, amordaçados, de cabeça pra baixo até o final da Copa.

A Bahia é o exemplo mais simbólico. A bela Arena Fonte Nova primeiro nos remete à infância. “Fui no Itororó beber água e não achei...”, alguém desconhece essa cantiga de roda? E o estádio está ali, bem em frente ao Dique do Itororó, superprotegida pelos 12 orixás dispostos exatamente como os adeptos do candomblé dançam. Nem é preciso especular demais para imaginar quantos patuás são levados ao estádio. Proteção máxima aos que fazem a festa no gramado.

Belém não sedia a Copa, mas isso não inviabiliza que seus filhos façam uso de seu lado o místico que vai da devoção a Nossa Senhora de Nazaré às mandingas da feira do Ver-o-Peso. Como ignorar os vidrinhos com as ervas poderosas com nomes mais poderosos ainda: comigo ninguém pode, abre caminho, vence tudo, olho gordo, vence batalha ...

Eu, por exemplo, assisti aos dois primeiros jogos da seleção brasileira com camisas com estampas de Nossa Senhora de Nazaré. No primeiro, contra a Croácia, uma lembrança do Círio do ano passado. No segundo, contra o México, uma estampa mais estilizada com a imagem da Santa. A primeira se mostrou mais eficiente e já está reservada para ser usada novamente hoje diante da equipe de Camarões. Mas será que somos mesmo tão supersticiosos como dizem?




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