Ruth Rendeiro

É óbvio que nem tudo que se passa na Copa passa na TV, mesmo que na TV os noticiários estejam, atualmente, restritos à Copa. Os índices de criminalidade no País decresceram? E a inflação? Os trens e o metrô não andam mais superlotados? O abastecimento de água em São Paulo foi normalizado? E o trânsito nas marginais de Pinheiro e Tietê fluem normalmente? Parece que sim, afinal há mais de dez dias não temos visto as dezenas de minutos no noticiário nacional sobre esses quilométricos engarrafamentos como se isso interessasse a quem mora em Cruzeiro do Sul, no Acre?

Hoje a Copa é o que predomina, mas só o que de fato interessa enaltecer e ratificar a imagem de País alegre, povo feliz, sem xenofobia ou preconceitos... Será?

Venho aguardando reportagens que falem do desespero dos que residem às proximidades das grandes concentrações futebolísticas. Afinal, nem só de bares vive a Vila Madalena, em São Paulo ou Savassi em Belo Horizonte. Imaginem comigo ter que atravessar, ao sair pela manhã para o trabalho, as montanhas de latas e garrafas, calçadas transbordando de urinas e fezes ou chegar em casa de madrugada e encontrar casais em pleno ato sexual ou alguém duvida que o sexo corre frouxo após algumas doses?

Nenhum pauteiro pensou em mostrar que a vida continua para a maioria da população que não está de férias nem veio a passeio ao Brasil? E os feirantes que levantam de madrugada e precisam enfrentar os bêbados que ainda perambulam pela cidade e insistem em se manter em festa? E os padeiros, médicos, enfermeiros e motoristas de ônibus? Esses últimos devem estar exercitando toda a paciência do mundo. Ainda espero que um colega iluminado nós mostre esse país além estádios. Os que apenas assistem aos jogos e mantêm o País funcionando.




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