Ruth Rendeiro

Já parece tão distante o dia que o Brasil parou, a ansiedade tomou conta de todos e os minutos não passavam. Era a estreia da Seleção. O técnico Felipe Scolarri tentava, com domínio dos nervos e maestria de um Antonio Fagundes, acalmar brasileiros e estrangeiros afirmando que era só o primeiro degrau. Eram sete no total.

Daqui a pouco será o sexto e no meio dessa aparente pequena escada tem um time que se preparou por anos para vencer a Copa no Brasil. A saída prematura do Neymar (assunto esgotado e até irritante) só serviu para aumentar o nervoso e quiçá (como no meu caso) um gostinho de “dessa vez não vai dá”.

O que se vê na TV, contudo, é um país vivo em torno de um time de quase meninos. Que parece deitado em berço esplêndido, adormecido para seus problemas cruciais. Até os latrocínios, os assaltos com reféns, atropelamentos cinematográficos ou assassinatos passionais de duvidar do ser humano foram substituídos. O seu João deu lugar ao Davi Luiz e a desabrigada Margarida foi substituída pelo Thiago Silva. Estamos anestesiados pelas imagens de TV. Em festa, mas como no carnaval, em breve teremos a nossa quarta-feira de cinzas.

Hoje já terei que economizar a minha mandinga do ver-o-peso “Comigo Ninguém Pode”. O vidrinho está no fim.Mas vestirei a mesma camisa que sequer foi lavada. Sentarei na mesma cadeira, gritarei com o mesmo entusiasmo, temendo a próxima segunda-feira quando a carruagem voltará a ser abóbora.Com a inflação subindo, os políticos prometendo o que nunca cumprirão, os viadutos caindo, homens e mulheres matando-se na cracolândia, os assaltos impedindo que saiamos de casa. E viva a Seleção!




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