Ruth Rendeiro

Eu gostaria muito de ter este sentimento latino americano, ser apenas aquele rapaz que o Belchior cantou na década de 70. Seria fácil se estivessem na final o Chile, Colômbia, Bolívia, UruguaiParaguai... Iria vestir a camisa, gritar, vibrar e torcer pela América Latina, pela América do Sul. Mas não consigo politizar a Copa. É óbvio que a política está inserida, explícita ou implicitamente está lá, mas esse jeito argentino de ser sempre me impedirá.

Talvez porque a Argentina seja o país mais parecido com o Brasil, principalmente naarrogância, na busca pela liderança e na hora de depreciar o outro com humor e deboche. Somos experts nessa arte, basta passear pela internet. Até na hora da frustração diante dos 7 x 1 não perdemos esse dom de fazer humor sarcástico e às vezes até agressivo, chulo. Quantas vezes já zoamos tragédias, mortes de famosos? E os hermanos também tem essa proezaNem a Volkswagen faz tantos gols em tão pouco tempo, é uma das mais criativas, mas nada comparável as musiquinhas infames de Maradona e Pelé.

Não torcerei pela Argentina no domingo, nem vibrarei com a Alemanha. 1 x 0 está de bom tamanho. No sábado vou vestir de novo a camisa com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré à frente, mas não terá mais churrasco ou tacacá. A Copa acabou para mim na última terça-feira. Enquanto eu colocava a água para ferver e dava início ao Yakishoba, a Alemanha fez um gol. Peguei as carnes e o camarão na geladeira e outro gol. Comecei a cortar a cenoura, outro gol. Apanhei o brócolis e a vagem, mais um. Cancelei o jantar, desliguei a TV e esperei pelos comentários pós-jogo, agradecida por não ter visto o jogo até o fim.

Agora é rumo à medalha de bronze! Sem muita euforia ...




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