Ruth Rendeiro

Creio que não muito distante, os cemitérios irão ficar cada vez mais vazios. Quanto mais  se afasta o dia da morte, menor a frequência aos túmulos. Inevitável que o sofrimento da partida retroceda e a necessidade da proximidade do que restou do ser amado diminua. Mas o que acredito reduzirá significativamente a cultura de ir aos cemitérios, pelo menos no dia 2 de novembro, é a crescente decisão de cremarem os corpos.

 

Um desejo que espero parentes e amigos me atendam. Não gosto de me imaginar enterrada. Tudo bem que serei apenas um corpo obeso que fará a alegria dos vermes, mas mesmo assim alimento a claustrofobia de saber que muitas pás de terra estarão sobre mim. Ou que ali permanecerei úmida quando chover ou com sede quando o sol esquentar demais. Aterrorizador? Assustador? Não... apenas dito o que muitos pensam e poucos verbalizam.

 

Cremar é a melhor opção. Nem todas as cidades têm esse serviço para os vivos e mortos, mas cada dia novos crematórios surgem, o que facilita esse ato bem mais humano, menos traumático e mais digno, além de ecologicamente correto. Mais caro que o enterro tradicional, cremar, por outro lado, permite uma homenagem mais individualizada, compatível com o perfil da pessoa que se foi. E se levar em consideração o preço de um espaço no cemitério, a manutenção eterna de um mausoléu, a contratação de uma pessoa para cuidar do túmulo, na ponta do lápis talvez fique mais em conta a cremação. Hoje existem planos que pagamos em vida para ter esse desejo atendido depois da morte. Já estou providenciando o meu.

 

No dia dos mortos, sem túmulos, homenageamos os nossos seres amados que já estão em outro plano com preces, muitas lembranças e sobretudo com a alegria de ter convivido com eles. Afinal, a gente só sente saudade do que nos fez bem.




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Última modificação em Quinta, 30 Outubro 2014 16:15

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