Ruth Rendeiro

Tenho poucas lembranças do meu pai enquanto fui criança. Alguns passeios, afagos, colos (era bom ver tudo lá de cima!). A mais marcante, porém, tem relação direta com esta época.

O homem alto, bonito, sempre muito cheiroso e elegante, entra no pequeno sobrado onde morávamos em Bangu, no Rio de Janeiro. Conhecia pouco do Papai Noel. Minha mãe priorizava a sobrevivência. Não tinha tempo para as fantasias. Nos braços um enorme pacote de papel grosso, tipo karaft, amarelo intenso. Quis saber o que ele trazia. Roupas sujas do quartel, respondeu andando mais rápido do que o habitual.

De repente o pacote chora. Um som que conhecia bem. Um choro de boneca. Meu Papai Noel morreu naquele instante fazendo nascer um pai amoroso e generoso que não tinha tanta intimidade. Abriu o pacotão e lá de dentro surgiu a mais bela de todas as bonecas. Enorme! Rosto de borracha, corpo de louça. Quase uma menina. Mais ou menos do tipo “Amiguinha”. As cinquentonas, sessentonas devem se lembrar da boneca tão cobiçada.

Saiu do Rio de Janeiro junto com a família e por anos ainda me acompanhou em Belém. Um presente inesquecível. Um momento que nunca se apagará da minha memória. Um Natal antecipado e sem árvores enfeitadas ou Papai Noel. Mas com um pai ...




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