Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal

O Brasil “é um agente poderoso no mercado do petróleo”, reconhece o americano Daniel Yergin, um dos mais respeitados especialistas no assunto no mundo, em entrevista à Veja. Mas ele alerta que essa posição privilegiada, inimaginável poucos anos atrás, não é definitiva: “Achar que tudo pode continuar como está será suicídio”.

O país tem boas reservas de petróleo e a vantagem de que “80% de sua energia é de fonte hídrica, enquanto a média mundial é de 16%”. Isso significa que, para o Brasil, “ter água é imprescindível. Mas também é preciso planejamento e diversificação das fontes de recursos para que o país não fique no escuro. Não pode faltar energia num país que precisa crescer tanto quanto o Brasil”.

Além disso, o país precisaria adotar como imperativo produzir petróleo a custo cada vez menor para ter competitividade, sem o que ficará em posição inferiorizada na “nova era” do petróleo, de custo abaixo de 50 dólares o barril”. Para ingressar bem nessa nova etapa o Brasil precisa reduzir o custo de produção de petróleo, “que é muito alto”, prejudicando a competitividade internacional, e rever suas regras fiscais e sua política “de conteúdo nacional”.
Para o Brasil, há um outro problema: se tornou o país mais dependente da China, cujo crescimento do consumo acarretou grande elevação na demanda por petróleo (e outras matérias primas), enquanto ocorria um fato paralelo desafiador: o incremento na extração de xisto nos Estados Unidos, que assumiu, assim, o papel de principal influenciador nos preços internacionais, antes desempenhado pelos países da Opep. Yergin acha que o superciclo de crescimento da China se encerrou dois anos atrás e não voltará a ser o mesmo. “Ninguém sabe melhor que o Brasil o poder de tração do mercado chinês”, observa ele – e com razão.

O grande desafio, portanto, é como, em meio a crise política e moral, o Brasil se reposicionar num mundo sob essa grande e rápida mudança.




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Última modificação em Sexta, 27 Fevereiro 2015 21:18

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