Lúcio Flávio Pinto

O maior de todos os impactos da orgia de corrupção na Petrobrás no mundo concreto foi anunciado ontem. Seu valor é maior do que os seis milhões de reais desviados da estatal para o pagamento de propinas. Por causa do escândalo, o BNDES desistiu do financiamento de quatro bilhões de dólares que se comprometera a conceder à Sete Brasil.

Agora, para construir as sondas que a Petrobrás se comprometeu em alugar para usar na exploração do pré-sal, a empresa está recorrendo ao mercado – e pagando, naturalmente, por um dinheiro bem mais caro do que o crédito subsidiado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. A Petrobrás, que, além de cliente, é também sócia da Sete, vai dividir esse acréscimo de despesa.

O dinheiro virá agora dos credores e de bancos estrangeiros, mas também dos estaleiros asiáticos que já participavam da operação com a Sete. Eles talvez sejam os mais beneficiados. Apesar da redução da fabulosa encomenda da Petrobrás, que antes da revelação da corrupção era de 29 sondas, dois estaleiros estrangeiros – o Jurong, da Coreia, e o Brasfels, de Cingapura – ficarão com a construção de 13 sondas.

O negócio é tão bom que eles concordaram em financiar quatro das sondas que ficaram sob a sua responsabilidade. Quatro sondas, segundo a Folha de S. Paulo, foram assumidas pela Odebrecht (a última empreiteira a ser indiciada pela Operação Lava Jato) e grupos japoneses. As duas últimas unidades serão construídas no Rio Grande do Sul.

Além da Petrobrás, a Sete tem a participação do Bradesco, Santander, BTG Pactual, fundos de pensão e empresas estatais. Todos dividirão o efeito negativo do Petrolão. E o Brasil cederá um pouco da sua soberania sobre suas maiores reservas de petróleo. Por culpa de meia dúzia de funcionários da Petrobrás e outro tanto de políticos. Terá sido, então, o maior efeito perverso per capita da história da humanidade.




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