Rosélio da Costa Silva

Essa história de lua azul começou em 1946 quando um astrônomo americano chamou de blue moon a segunda lua cheia do mês. Colocada em português significa “lua azul” mas, na verdade, esse blue tem outros significados. Aqui, ele está no sentido de raro, por ser evento raro.

De qualquer modo, a lua azul do dia 31 de julho voltou no dia seguinte para encher de luar a primeira noite de agosto: banho de lua não tem gosto, nem cheiro. É estado de espírito capital coração. Haja imaginação! Tenho apego por luar, particularmente de agosto. Deve ser coisa de leão que acha que a sua juba é mais bonita que as demais!

O outro evento de agosto foi a floração das cerejeiras no Parque do Carmo em São Paulo. É um quadro belíssimo pintado pela natureza. No Japão um imperador houve por bem instituir o seu luar vegetal, anual, efêmero, para embaixo dele sonhar de coração escancarado à beleza: na verdade ele simplesmente trouxe a valor presente a tradição milenar da floração das ameixeiras criando o festival da floração das cerejeiras.

A contemplação é da cultura japonesa. “Hanani” – esse é o nome do evento - significa o festival da contemplação à floração. Nós contemplamos o luar da lua, os japoneses contemplam, entre outras coisas, o luar da floração da cerejeira.

Os raios prateados do luar transformam o homem ocidental em seresteiro, trovador. O deslumbrante cenário da floração leva o japonês à contemplação, recolhimento, aquietação da palavra em respeito à beleza da natureza...

Mas agosto não é só flor e luar. Tem suas histórias tristes, até vergonhosas. Marcou a eclosão da primeira grande guerra e o bombardeio atômico em Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos no segundo conflito mundial, além de muitas outras mazelas. Esses bombardeios atômicos de então são hoje senhores de 70 anos e ainda arrastam-se por aí, como fantasmas, a perseguir a memória dos homens...

O luar de lua ou luar vegetal do Hanani, onde quer que ocorram, vem para clarear ideias, reacender paixões, cauterizar feridas de almas e recompor esperanças, nem que seja por alguns instantes, nem que seja pelo tempo do luar ou enquanto durar a floração das cerejeiras, das ameixeiras ou floração de qualquer espécie, afinal, não são as flores estruturas de reprodução que perpetuam a vida, esperança da continuidade? Não seria, afinal, a noite que excita a alma ao espetáculo e à graça do novo amanhecer?

Que assim seja.


Rosélio da Costa Silva

Jornalista e Técnico em Comércio Internacional radicado em São Paulo, autor de Mosaicos do Andarilho. 




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