Rosélio da Costa Silva

Há indignação entalada na garganta de cada brasileiro sobre a tragédia de Mariana, em Minas.  O rompimento da barragem destruiu vidas, devastou comunidades, assassinou o rio Doce e sua biodiversidade. Levou sede e desalento às populações da região e esse caldeirão de misérias chegou ao oceano Atlântico.  A proporção dessa devastação não tem precedente. Foi um assassinato à queima roupa, por assim dizer.

Logo após o fato, o “Brasil vigilante”, dedo em riste, apontava o valor da multa à empresa responsável primeira pela tragédia.  Isso não devolve vidas perdidas e pouco deve ser utilizado à recuperação da região. Pelo menos tem sido assim em tantas outras tragédias, como a da região serrana do Rio de Janeiro.

Há outras desgraças por aí e não vemos o dedo em riste no nariz dos responsáveis.   São crimes praticados lentamente, com requintes diários de crueldade, diante dos olhos indiferentes do Estado e da sociedade. Olhem o Tietê, o Pinheiros, a Bahia de Guanabara, áreas de mangue, e o meu Tapajós que fale por si só de seu sofrimento ... Quem foi o autor dessa destruição toda? Há muitos: indivíduos inescrupulosos, que despejam seus esgotos nessas áreas ou gananciosos irresponsáveis que contaminam o meio ambiente, aproveitando-se da miopia do poder público e da incapacidade de administrar, cobrar, fiscalizar...

Se isto tudo acontece nos centros ditos mais avançados do País, o que será que ocorre nas entranhas de regiões mais remotas onde o poder público não alcança?

Há uma forte ligação entre o desastre de Mariana e os deslizamentos de imoralidades que se estendem pelo Brasil afora e que a Lava Jato procura conter.  Esse lamaçal provoca estragos na natureza das coisas, nas pessoas, inviabiliza hospitais, escolas, estradas, portos  e sabe-se lá não ajuda a contaminar a sociedade brasileira com a ideia de que a bandalheira compensa.

Ainda não sabemos como e quando vamos encontrar solução às nossas mazelas. A verdade é que há muita lama por todos os lados, água parada, Aedes aegypti, dengue, chikungunya, zika vírus, microencefalia. Que zica!   Pobre País que se fez baldio em 2015!...


Rosélio da Costa Silva

Jornalista e Técnico em Comércio Internacional radicado em São Paulo, autor de Mosaicos do Andarilho. 




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