Sexta, 26 Dezembro 2014 12:01

Papai Noel papa chibé emociona Ribeirão Preto

Escrito por Ruth Rendeiro

Nem sei quando começou. Mas há algumas décadas o Natal saiu de casa vestido de Papai Noel. Barba, cabelos e bigode brancos, barriga naturalmente protuberante e o inconfundível Hohohoroviraram tradição familiar a percorrer ruas da periferia de Belém. No saco vermelho bombons e pirulitos. Desnecessários. A sua presença bastava para iluminar o rosto das crianças e umedecer os olhos dos adultos.

Um Papai Noel já partiu. Deve estar assessorando São Nicolau lá no céu. Durante alguns anos a tradição ficou de luto, mas este ano voltou revigorada, cheia de entusiasmo e saiu às ruas de Ribeirão Preto. Uma cidade, como a maioria de São Paulo, silenciosa, com as pessoas recolhidas em seus lares, festejando muito intimamente a noite mágica. Mas Papai Noel e seus ajudantes de gorrinhos vermelhos não desistiram.

Sino na mão, saco com balas (os bombons viraram balas numa adequação de linguagem necessária) e o seu inconfundível Hohohoho, lá foi ele. Alguns gritos infantis abalaram poucos prédios. Mas sempre à distância. Nem mesmo o convite do Bom Velhinho para que descessem foi atendido. Algumas mais efusivas clamavam: sobe aqui Papai Noel, mas em nome da segurança e o medo da violência era proibida a entrada de estranhos. E lá se foi o Papai Noel meio solitário pelas ruas paulistas.

São Nicolau deve ter dado a dica e ele se postou em frente à igreja aguardando o fim da missa. Com a alma leve, típico de quem tem fé, o sorriso iluminava o rosto de cada um dos que deixavam o templo. Adultos voltavam a ser crianças, crianças sendo crianças. Todos em busca da balinha de valor quase simbólicosupervalorizada pelas mãos do Papai Noel.

Um docinho, um abraço, um afago e a Noite se fez mais Feliz em Ribeirão Preto.

Terça, 23 Dezembro 2014 08:09

O pacote chorou

Escrito por Ruth Rendeiro

Tenho poucas lembranças do meu pai enquanto fui criança. Alguns passeios, afagos, colos (era bom ver tudo lá de cima!). A mais marcante, porém, tem relação direta com esta época.

O homem alto, bonito, sempre muito cheiroso e elegante, entra no pequeno sobrado onde morávamos em Bangu, no Rio de Janeiro. Conhecia pouco do Papai Noel. Minha mãe priorizava a sobrevivência. Não tinha tempo para as fantasias. Nos braços um enorme pacote de papel grosso, tipo karaft, amarelo intenso. Quis saber o que ele trazia. Roupas sujas do quartel, respondeu andando mais rápido do que o habitual.

De repente o pacote chora. Um som que conhecia bem. Um choro de boneca. Meu Papai Noel morreu naquele instante fazendo nascer um pai amoroso e generoso que não tinha tanta intimidade. Abriu o pacotão e lá de dentro surgiu a mais bela de todas as bonecas. Enorme! Rosto de borracha, corpo de louça. Quase uma menina. Mais ou menos do tipo “Amiguinha”. As cinquentonas, sessentonas devem se lembrar da boneca tão cobiçada.

Saiu do Rio de Janeiro junto com a família e por anos ainda me acompanhou em Belém. Um presente inesquecível. Um momento que nunca se apagará da minha memória. Um Natal antecipado e sem árvores enfeitadas ou Papai Noel. Mas com um pai ...

Sábado, 01 Novembro 2014 17:42

Dia dos mortos

Escrito por Ruth Rendeiro

Durante boa parte da minha infância e adolescência, o dia reservado aos mortos significava uma data de grande expectativa e não porque iríamos ao cemitério reverenciar amigos e parentes que já tinham partido. Até porque nessa idade poucos tinham morrido.

Moradora da “baixa” da Conselheiro Furtado, em Belém, a duas quadras do maior cemitério da cidade - o Santa Izabel, o dia de finados começava na véspera com minha avó e mãe fazendo bolos e comprando refrigerantes (coisa rara naquela época) para os que iriam nos visitar. Muitos conhecidos da família quando regressavam, cansados, suados e sedentos do campo santo, faziam uma parada em nossa casa onde eram recebidos com comedida euforia. A maioria a gente só via nessa data.

Sem temer a violência (de nenhuma espécie), íamos em grupo “passear” pela José Bonifácio. Encontrávamos amigos, colegas de escola e às vezes aquele rapaz ou moça que já lançávamos alguns olhares. Ao contrário da maioria eu gostava de ir para dentro do cemitério. Tinha medo de pisar nas sepulturas, mesmo aquelas mais abandonadas. Entrava por uma ruela e saía pela outra em busca de defuntos famosos. Rezava e me emocionava com a história da Severa Romana ou do Dr. Camilo Salgado. Mas evitava ir para próximo do Cruzeiro onde as velas se abraçavam e viravam uma só labareda.Não queria olhar a vala comum onde os ossos dos indigentes ou daqueles que perderam o direito de permanecer enterrados ficavam expostos à curiosidade pública.

Antes de ir para casa um lanche bem na frente da porta principal. Caldo de cana com pão doce, quebra-queixo ou uma unha de caranguejo com bem pimenta encerravam o dia que era mais de risos do que de lágrimas, mesmo sendo dia de finados.

Os cremados
Quinta, 30 Outubro 2014 16:04

Os cremados

Escrito por Ruth Rendeiro

Creio que não muito distante, os cemitérios irão ficar cada vez mais vazios. Quanto mais  se afasta o dia da morte, menor a frequência aos túmulos. Inevitável que o sofrimento da partida retroceda e a necessidade da proximidade do que restou do ser amado diminua. Mas o que acredito reduzirá significativamente a cultura de ir aos cemitérios, pelo menos no dia 2 de novembro, é a crescente decisão de cremarem os corpos.

 

Um desejo que espero parentes e amigos me atendam. Não gosto de me imaginar enterrada. Tudo bem que serei apenas um corpo obeso que fará a alegria dos vermes, mas mesmo assim alimento a claustrofobia de saber que muitas pás de terra estarão sobre mim. Ou que ali permanecerei úmida quando chover ou com sede quando o sol esquentar demais. Aterrorizador? Assustador? Não... apenas dito o que muitos pensam e poucos verbalizam.

 

Cremar é a melhor opção. Nem todas as cidades têm esse serviço para os vivos e mortos, mas cada dia novos crematórios surgem, o que facilita esse ato bem mais humano, menos traumático e mais digno, além de ecologicamente correto. Mais caro que o enterro tradicional, cremar, por outro lado, permite uma homenagem mais individualizada, compatível com o perfil da pessoa que se foi. E se levar em consideração o preço de um espaço no cemitério, a manutenção eterna de um mausoléu, a contratação de uma pessoa para cuidar do túmulo, na ponta do lápis talvez fique mais em conta a cremação. Hoje existem planos que pagamos em vida para ter esse desejo atendido depois da morte. Já estou providenciando o meu.

 

No dia dos mortos, sem túmulos, homenageamos os nossos seres amados que já estão em outro plano com preces, muitas lembranças e sobretudo com a alegria de ter convivido com eles. Afinal, a gente só sente saudade do que nos fez bem.

Domingo, 07 Setembro 2014 10:57

Dia da Independência?

Escrito por Ruth Rendeiro

Ontem, em um restaurante, em São Calos (SP), um senhor de 70,80 anos dirigiu-se a mim e a minha filha e sorrindo disse: não casem amanhã. Respondi, também sorrindo: eu já casei um dia e ela ainda vai demorar. E ele complementou: amanhã é só independência. Disse até logo, tudo de bom e saímos. Não entendi e com tanta coisa a resolver não pensei mais no assunto. Só hoje, quando vi o Google verde - amarelo, é que a ficha caiu.

Talvez por não ser feriado, a mídia falou pouco na data. Não haverá congestionamentos monstros a caminho das praias paulistas ou para a região dos lagos cariocas, felizmente os acidentes nem serão comparados com os que aconteceram ano passado e ninguém faltará trabalho amanhã. E eu também nem lembrei que, há 182 anos, D. Pedro I proclamou a nossa independência (?) às margens do rio Ipiranga. Lição decorada e sem muito significado quandoeu tinha 7, 8 anos.

Esse período já teve, porém, grande importância na minha vida. Mais do que o dia 7 de setembro, os estudantes comemoravam o Dia da Raça, dia 5. Antes do desfile dos soldados, como dizíamos, com os pais levando principalmente os filhos (homens!) para talvez alguns anos à frente ser um deles, os colégios de Belém do Pará movimentavam a cidade com seus jovens vestindo roupas estranhas antes mesmo de amanhecer rumo à concentração de sua escola. Eu desfilei várias vezes pelo Colégio Visconde de Souza Franco. Sentindo-me a maior de todas as estrelas do bairro, um dia, lá pelos idos de 70, saí vestida de “mata mosquito”. Uma homenagem justa a Osvaldo Cruz e aos homens da Sucam que iam de porta em porta à caça de focos de mosquitos prejudiciais à saúde. Foi a primeira vez que usei botas!

Desse jeito era impossível esquecer o Dia da Independência!

A capital brasileira do vinho
Domingo, 10 Agosto 2014 21:52

A capital brasileira do vinho

Escrito por Ruth Rendeiro

Eu sou uma analfabeta em vinhos. Nasci em Belém do Pará onde se aprende, pelo calor constante, a apreciar a cerveja. E não fugi à regra. Ao deixar minha cidade, por pura coincidência, fui morar em Ribeirão Preto, a capital do chope. A preferência e conhecimento ampliaram-se. Mas gosto de vinho, sobretudo quando a temperatura inflama o desejo de esquentar por dentro e não de refrescar e para os que de fato são apaixonados pela bebida, Bento Gonçalves, considerada a capital brasileira do vinho, é um deleite.

Toma-se vinho quase como água e o orgulho de seus habitantes em falar dos produtos originários da uva é mais do que visível. Chega-se ao hotel e a saudação é uma taça de um bom espumante. No restaurante, a bebida está sempre à vista e à noite, em casa ou nos bares, shoppings e festas, lá está o vinho em abundância, qualidade e diversidade.

Quis conhecer um pouquinho mais sobre ele e percorri, em excursão, duas vinícolas famosas da serra gaúcha. Uma considerada familiar, de pequeno porte, artesanal, onde o próprio dono recebe os visitantes. Vitor Luigi, um simpático senhor, mostra com orgulho o patrimônio que herdou de seus antecessores italianos. Em escala comercial, a outra vinícola impressiona pela gigantesca produção, a industrialização que leva para o exterior o que antes vinha de lá. Espumantes borbulham e são abertos diante de nossos olhares perplexos pelo método de sabragem. Uma espécie de espada amolada, o sabre, lança fora a rolha e o estouro, no subsolo da vinícola, parece mais alto, mais comemorativo. Gritamos, brindamos e degustamos uma preciosidade.

Aprendi pouco diante do acervo inesgotável do tema, mas deixarei Bento Gonçalves feliz. Ouvi de um enólogo que não existe vinho ruim, o que existe é o vinho que você gosta. Há muito sei que prefiro o tinto seco, de preferência cabernet. A essa altura da vida, o suficiente para tomar um bom vinho, de preferência em excelente companhia numa noite fria.

Este outro Brasil
Terça, 05 Agosto 2014 23:16

Este outro Brasil

Escrito por Ruth Rendeiro

- O valor total é 10 com 50. Achei que não tinha entendido direito e pedi que a jovem repetisse: 10 reais com 50. Por pura dedução entreguei uma nota de dez reais e uma moeda de 50 centavos. Era isso mesmo!

Esta é uma pequena estranheza para diante do que virá, principalmente para quem, como eu, está visitando pela primeira vez o Rio Grande do Sul. Estamos, nós brasileiros, em outro País, sobretudo se a origem for um Estado do Norte ou Nordeste. Centenas de empregados da Embrapa estão, com seus próprios recursos, participando do V Encontro de Qualidade de Vida, em Bento Gonçalves, promoção da Federação das Associações dos Empregados de todo o País.

Além das belas moças de olhos claros, pele branca e avermelhada pelo frio nesta época do ano e o sotaque inconfundível, a cidade de Bento Gonçalves, de pouco mais de 100 mil habitante encanta a todos. Colonizada por italianos, ela é conhecida como a capital brasileira do vinho. Toma-se vinho e suco integral de uva em qualquer canto. Aquelas máquinas que conhecemos vendendo café a partir do depósito de moedas, aqui vende vinho e de excelente qualidade.

O frio que espanta nortistas e nordestinos (fez 3°C nos últimos dias) dá um charme especial à cidade da serra gaúcha. Os agasalhos pesados, botas cano longo e gorros parecem ter nascido junto com a população. Sentem-se tão à vontade quanto uma carioca de biquíni. Quanto mais eu conheço o Brasil, mas tenho certeza de que não conheço nada e olha que eu já viajei muito. Pouco diante do que ainda tenho a desvendar desses brasis.

Quinta, 10 Julho 2014 16:05

Por que torcer pela Alemanha?

Escrito por Ruth Rendeiro

Eu gostaria muito de ter este sentimento latino americano, ser apenas aquele rapaz que o Belchior cantou na década de 70. Seria fácil se estivessem na final o Chile, Colômbia, Bolívia, UruguaiParaguai... Iria vestir a camisa, gritar, vibrar e torcer pela América Latina, pela América do Sul. Mas não consigo politizar a Copa. É óbvio que a política está inserida, explícita ou implicitamente está lá, mas esse jeito argentino de ser sempre me impedirá.

Talvez porque a Argentina seja o país mais parecido com o Brasil, principalmente naarrogância, na busca pela liderança e na hora de depreciar o outro com humor e deboche. Somos experts nessa arte, basta passear pela internet. Até na hora da frustração diante dos 7 x 1 não perdemos esse dom de fazer humor sarcástico e às vezes até agressivo, chulo. Quantas vezes já zoamos tragédias, mortes de famosos? E os hermanos também tem essa proezaNem a Volkswagen faz tantos gols em tão pouco tempo, é uma das mais criativas, mas nada comparável as musiquinhas infames de Maradona e Pelé.

Não torcerei pela Argentina no domingo, nem vibrarei com a Alemanha. 1 x 0 está de bom tamanho. No sábado vou vestir de novo a camisa com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré à frente, mas não terá mais churrasco ou tacacá. A Copa acabou para mim na última terça-feira. Enquanto eu colocava a água para ferver e dava início ao Yakishoba, a Alemanha fez um gol. Peguei as carnes e o camarão na geladeira e outro gol. Comecei a cortar a cenoura, outro gol. Apanhei o brócolis e a vagem, mais um. Cancelei o jantar, desliguei a TV e esperei pelos comentários pós-jogo, agradecida por não ter visto o jogo até o fim.

Agora é rumo à medalha de bronze! Sem muita euforia ...

Terça, 08 Julho 2014 13:54

Copa 2014: O sexto degrau

Escrito por Ruth Rendeiro

Já parece tão distante o dia que o Brasil parou, a ansiedade tomou conta de todos e os minutos não passavam. Era a estreia da Seleção. O técnico Felipe Scolarri tentava, com domínio dos nervos e maestria de um Antonio Fagundes, acalmar brasileiros e estrangeiros afirmando que era só o primeiro degrau. Eram sete no total.

Daqui a pouco será o sexto e no meio dessa aparente pequena escada tem um time que se preparou por anos para vencer a Copa no Brasil. A saída prematura do Neymar (assunto esgotado e até irritante) só serviu para aumentar o nervoso e quiçá (como no meu caso) um gostinho de “dessa vez não vai dá”.

O que se vê na TV, contudo, é um país vivo em torno de um time de quase meninos. Que parece deitado em berço esplêndido, adormecido para seus problemas cruciais. Até os latrocínios, os assaltos com reféns, atropelamentos cinematográficos ou assassinatos passionais de duvidar do ser humano foram substituídos. O seu João deu lugar ao Davi Luiz e a desabrigada Margarida foi substituída pelo Thiago Silva. Estamos anestesiados pelas imagens de TV. Em festa, mas como no carnaval, em breve teremos a nossa quarta-feira de cinzas.

Hoje já terei que economizar a minha mandinga do ver-o-peso “Comigo Ninguém Pode”. O vidrinho está no fim.Mas vestirei a mesma camisa que sequer foi lavada. Sentarei na mesma cadeira, gritarei com o mesmo entusiasmo, temendo a próxima segunda-feira quando a carruagem voltará a ser abóbora.Com a inflação subindo, os políticos prometendo o que nunca cumprirão, os viadutos caindo, homens e mulheres matando-se na cracolândia, os assaltos impedindo que saiamos de casa. E viva a Seleção!

Segunda, 30 Junho 2014 08:16

O Brasil que passa na TV

Escrito por Ruth Rendeiro

É óbvio que nem tudo que se passa na Copa passa na TV, mesmo que na TV os noticiários estejam, atualmente, restritos à Copa. Os índices de criminalidade no País decresceram? E a inflação? Os trens e o metrô não andam mais superlotados? O abastecimento de água em São Paulo foi normalizado? E o trânsito nas marginais de Pinheiro e Tietê fluem normalmente? Parece que sim, afinal há mais de dez dias não temos visto as dezenas de minutos no noticiário nacional sobre esses quilométricos engarrafamentos como se isso interessasse a quem mora em Cruzeiro do Sul, no Acre?

Hoje a Copa é o que predomina, mas só o que de fato interessa enaltecer e ratificar a imagem de País alegre, povo feliz, sem xenofobia ou preconceitos... Será?

Venho aguardando reportagens que falem do desespero dos que residem às proximidades das grandes concentrações futebolísticas. Afinal, nem só de bares vive a Vila Madalena, em São Paulo ou Savassi em Belo Horizonte. Imaginem comigo ter que atravessar, ao sair pela manhã para o trabalho, as montanhas de latas e garrafas, calçadas transbordando de urinas e fezes ou chegar em casa de madrugada e encontrar casais em pleno ato sexual ou alguém duvida que o sexo corre frouxo após algumas doses?

Nenhum pauteiro pensou em mostrar que a vida continua para a maioria da população que não está de férias nem veio a passeio ao Brasil? E os feirantes que levantam de madrugada e precisam enfrentar os bêbados que ainda perambulam pela cidade e insistem em se manter em festa? E os padeiros, médicos, enfermeiros e motoristas de ônibus? Esses últimos devem estar exercitando toda a paciência do mundo. Ainda espero que um colega iluminado nós mostre esse país além estádios. Os que apenas assistem aos jogos e mantêm o País funcionando.

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