Quinta, 23 Maio 2013 17:49

O churrasco e seus acompanhamentos

Escrito por Ruth Rendeiro

Quem admira um bom churrasco conhece bem as carnes, os temperos, o tempo de assadura. Têm perfeito domínio sobre a melhor forma de acender o fogo (com álcool ou com pão?). Muitos sabem o manual de como prepará-lo na ponta da língua. E churrasco muda de região para região. Obviamente que o mais famoso é o churrasco gaúcho, mais que uma carne saborosa, um ritual que poucos outros brasileiros conseguem repetir.

Há os que preferem os espetinhos, aqueles churrasquinhos que dizem, em tom de gozação, ser de gato, os conhecidos “filésminhaus”, principalmente os que frequentadores de campos de futebol. Têm os mais sofisticados nas churrascarias badaladas e os que levam até mais de um dia para ficarem prontos semienterrados nas valetas, os de rolete.

Os acompanhamentos dessas carnes são uma atração à parte. Alguns servem como se fossem um almoço e elas apenas um dos ingredientes: tem arroz, feijão, salada, farofa. Outros optam pela farinha torrada e muita pimenta. O famoso churrasco de rodízio. Rodízio de colher. Em Belém há quem faça um pirão de farinha de mandioca baguda com vinagrete e até tucupi com pimenta para ser saboreado junto com um churrasquinho de coração de boi ou um bom pedaço de filé de frango. Em São Paulo o mais corriqueiro é o churrasquinho ser acompanhado de pão e colocá-lo no meio, como se fosse um sanduíche, acrescido de um pouco de vinagrete, pode até parecer estranho, mas é bom demais. 

Quarta, 22 Maio 2013 17:23

O velho do saco e a SuperNanny

Escrito por Ruth Rendeiro

Ri muito quando ouvi uma mãe jovem dizer ao filho de seis anos: ou você obedece ou eu chamo a SuperNanny. Sim, aquela senhora da TV, com ar de madrastra má, que invade a intimidade das famílias tentando ajudá-las a consertar o que normalmente é problema dos pais manifestados nos filhos e que são sempre responsabilizados pelos adultos.

Na minha época o mau comportamento era ameaçado pelo homem do saco. Um ser que nunca vi, mas que tinha um medo terrível. Pelo que a minha imaginação construiu, ele era um senhor gordo, barbudo, sujo, vestia roupas rasgadas e sempre muito maiores que o seu manequim e nos ombros carregava um enorme saco repleto de crianças que a gente só percebia que estavam lá dentro, quase sufocadas, pelos movimentos que faziam. Era só chorar, responder à mãe, brigar com o irmão mais novo que a ameaça surgiu: vou chamar o homem do saco!

A contemporaneidade trocou o homem do saco pela SuperNanny. Suas técnicas modernas de educar uma criança desobediente, mal criada, bagunceira, pelo menos em frente às câmeras, têm se mostrado eficientes. Acontecem verdadeiras metamorfoses nos pequenos mais danados. A minha dúvida é se ela é de fato mais competente que o homem do saco. Esse pelo menos não tinha rosto, nós é que criávamos o ser demoníaco que poderia vir nos buscar no momento exato da peraltice ou de noite sem chances para um pedido de socorro que seria abafado pelo saco. Só o tempo dirá!

 

Terça, 21 Maio 2013 22:32

O Pará não é tão longe assim

Escrito por Ruth Rendeiro

Tudo bem que o Estado do Pará está lá em cima no mapa do Brasil, é o segundo maior Estado em extensão e a maioria dos brasileiros não o inclui em suas férias anuais e por diferentes. O curioso é o espanto que os brasileiros, de outras regiões, manifestam quando tomam conhecimento da origem do paraense, “Nooooosssaaaaaa de Belém? Como é loooonge!” a surpresa estampada no rosto é tamanha que muitos acreditam terem saído de Marte e não do Pará.

Se a conversa prosseguir vem a constatação do quanto os outros brasileiros conhecem pouco da Amazônia. Falam do Calypso, do açaí, da Fafá de Belém e só!! Confundem Belém com Manaus, Amazonas com Amazônia. Surpreendem-se também com o jeito de falar e quase apostam que paraense e carioca falam igualzinho. O chiado nos sss e xxxs e os rrrs mais arranhados encantam. “Fala de novo porrrque” ou “como é mesmo que vocês dizem dois, três ...”

A mídia, que massifica as informações e que diariamente obriga 99% do País a saber, em detalhes, que a marginal do rio Tietê, em São Paulo, está congestionada há meia hora, é a mesma que ignora o que acontece na Amazônia. Destaque mesmo só para o grotesco, o inusitado, o exótico. Se não houver sangue, araras, índios ou remédios milagrosos da floresta não interessa e assim Belém continua sendo a capital do Amazonas e Amazonas o mesmo que Amazônia. 

Segunda, 20 Maio 2013 18:13

Mãe de primeira viagem

Escrito por Ruth Rendeiro

Talvez não exista nenhuma experiência mais completa e complexa do que ser mãe, de se descobrir grávida. São tantos sentimentos contraditórios que a cada dia um se sobrepõe ao outro ou se alternam no mesmo dia com a mesma intensidade. Ao acordar a felicidade de descobrir que o ser que está carregando em suas entranhas está mexendo, tem vida, ela gerou uma nova vida. Ao final da tarde, depois dos esforços diários, a sensação pode ser outra. As pernas inchadas, o mal estar cedem lugar à apreensão. O medo de perdê-lo assombra e invade a mãe, principalmente a de primeira viagem.

Mas é à noite, enquanto todos dormem que os pensamentos mais escabrosos dominam aquela mulher aparentemente forte, mas que é um poço de ansiedade e receios. Como estará o bebê? Ele nascerá sem nenhum problema? Terei estrutura psicológica para ser uma boa mãe? Vou saber cuidar dele quando ele começar a chorar? E quando adoecer?

Perguntas sem respostas que desaparecem junto com o sono e no dia seguinte são substituídas pelo prazer de olhar as roupinhas, de imaginar o bebê já dentro delas, de arrumar o quarto, de imaginá-lo em seu colo, sugando seu seio e sorrindo, numa cumplicidade única, como se agradecesse pelo amor incondicional. A mãe de primeira viagem nunca esquecerá cada minuto dos nove meses. Do dia em que recebeu a notícia de que estava grávida até o parto. O início de uma vida a dois que nunca mais deixará de existir.

 

Sexta, 17 Maio 2013 15:37

Por que todos têm que dirigir?

Escrito por Ruth Rendeiro

Nunca entendi a forte cobrança que existe para que todos tenham carteira nacional de habilitação, a famosa CNH. Ou mais do que isso: ter e dirigir, de preferência seu próprio carro. Eu não dirijo e quando alguém fora do círculo de amigos fica sabendo vem a pergunta repetitiva: não diriges? Como se isso fosse o maior absurdo do mundo.

Já tentei, fiz aulas, fui aprovada com louvor na prova teórica, mas é mais forte do que eu conviver com os demais veículos. Sinto-me mal e como vivo buscando mais a felicidade do que qualquer aborrecimento, desisti de vez. Vivo hoje muito bem sem carro. Quando posso ando de táxi, quando há tempo de ônibus e caminho muito. Vou ao banco, padaria, quitanda tudo andando. Até os sapatos são comprados pensando nesse jeito mais recente de viver.

Algumas vezes chego a comemorar a inexistência de carro na minha vida. Não preciso incluir, por exemplo, entre as despesas de início do ano o IPVA. Quando vou ao centro ou ao teatro não me preocupo onde estacionar. O táxi me deixa na porta. A lei seca não me atinge. Não tenho mecânico, oficina de confiança, lava jato preferido ou posto de gasolina onde o combustível não é batizado. Raramente sinto medo quando chego em casa. Levo menos tempo para abrir o portão menor do que o da garagem, Perigo reduzido.

Tudo be,m lamento muito quando quero ir para um lugar mais distante, sem transporte urbano às proximidades, mas o balanço, para mim, é sempre favorável ao não ter.

 

Quinta, 16 Maio 2013 16:26

Meu companheiro o jardim

Escrito por Ruth Rendeiro

A rosa que amanhã deve desabrochar, a nova folha que significa que o antúrio restabeleceu-se ou o cheiro que emana do jasmim-de-santo-antonio pode significar muito pouco para os que não gostam de cultivar plantas. Têm, porém, uma relevância imensa para os que, ao amanhecer, vão, silenciosamente, dar seu bom dia a cada uma delas, ver como passaram a noite e o que têm de novidade em sua vida que nada tem de apática.

Pode ser um imenso e bem cuidado jardim ou apenas umas latas de alumínio ou garrafas pet transformadas em vasos. O que importa é o sentimento que se nutre por elas. Podem ter sido adquiridas em renomadas floriculturas ou retiradas, sorrateiramente, do vizinho. A descoberta do quando cuidar delas pode transformar o início do dia em um prazeroso monólogo faz a diferença.

Elas podem causar, porém, alguma tristeza se de repente são devoradas, no silêncio da madrugada, pelas insaciáveis e incansáveis saúvas. A roseira que antes de dormir estava forte, vigorosa na manhã seguinte é apenas um caule careca de folhas. É de fazer chorar. Uma praga ou doença de repente dizima a bela “quebra vaso” e, mesmo diante de todas as tentativas ela morre. Quem tem um companheiro jardim torna-se mais sensível, passa a obervar o mundo à volta com mais ternura e a valorizar o que muitos, na correria do dia a dia, sequer percebem que elas estão ali, ao lado. Às vezes só no fim da vida passam a ter algum lugar de destaque.

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Terça, 14 Maio 2013 18:32

Chuvas e chuvas

O que é tão corriqueiro para os que nascem na Amazônia - sinal de que o calor abafado vai diminuir, que a noite será mais amena - para os que vivem em outras regiões é quase sempre motivo de muita apreensão. Desde pequenos os paraenses, amazonenses, amapaenses acostumaram-se a ver a chuva como um presente dos céus. Motivo especial para brincar de bola na rua, apanhar mangas e com o escovão agradar os pais esfregando o limo que se acumulava na calçada. Com o passar do tempo a chuva pode ser uma grande aliada na lavagem do carro ou servir de desculpa para faltar ao compromisso indesejado.

De tão famosa em Belém, muitos só marcam encontro antes ou depois da chuva. Mesmo que os seus  horários estejam cada vez mais alterados e ela comece, em muitos bairros a se transformar em um transtorno que traz inundações nas ruas, lixo que transbordam nos igarapés e animais peçonhentos que deixam seus esgotos vindos à tona. Mas não é culpa dela, é nossa!

Em outros Estados brasileiros, como em São Paulo, nuvens escuras podem ser pânico geral. Os trovões assustadores normalmente veem na frente. Às vezes são solitários. A chuva não vem. A tempestade anunciada vai embora. Outras ela chega com ventos fortes, redemoinhos que levantam poeira e derrubam árvores, painéis e, dependendo da topografia do lugar, lama, terra, morros. O mais curioso, entretanto, são as pedras de granizo. Para quem nunca viu, sentir na pele o toque forte do gelo é uma experiência inesquecível. 

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