Quinta, 18 Dezembro 2014 12:19

Mais energia

Escrito por Lúcio Flávio Pinto

Dos 7,35 mil megawats que podem gerar em conjunto, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, no rio Madeira, em Rondônia, já estão em condições de transferir 4,8 mil MW para o sul do país. Hoje a Agência Nacional de Energia Elétrica liberou o início da operação comercial da 35ª unidade da usina de Jirau, cuja potência (de 3.75 mil MW), é um pouco superior à de Santo Antonio (de 3,36 MW). Cada uma das turbinas tem potência de 75 MW. No total, 67 das 100 turbinas já foram liberados, transformando Rondônia – em tão pouco tempo – num dos principais polos energéticos do país.

Quarta, 03 Dezembro 2014 22:59

O risco de Jatene

Escrito por Lúcio Flávio Pinto, editor do Jornal Pessoal

Se a condição de saúde afastar Jader Barbalho dos palcos políticos paraenses, esse fator de renovação será incrementado pela impossibilidade de Simão Jatene disputar um novo mandato de governador. Ele pode se desincompatilizar e se lançar ao Senado ou à Câmara Federal. Mas também pesa sobre o seu futuro seu próprio problema de saúde. O coração debilitado do governador pode não agüentar mais uma temporada de caça ao voto. Quem será seu sucessor no PSDB?

O secador do futebol paraense
Segunda, 24 Novembro 2014 09:47

O secador do futebol paraense

Escrito por Lúcio Flávio Pinto

O secador é uma triste figura. No contexto do futebol paraense, torna-se um ignorante. Quando um remista comemora o insucesso do Paissandu na decisão da séria C, está conspirando contra o próprio time. Como campeão, o Paissandu podia servir de desafio ao rival, atolado numa crise que já é prolongada e não apresenta indício de que pode terminar.

Se depender da inexistente lucidez dos seus dirigentes, o clube vai continuar ruminando na série D indefinidamente. O estímulo tem que vir de fora. E qual a dosagem maior de do que a ascensão do Paissandu à série B, com o acréscimo do primeiro lugar na série C? Se o Paissandu subiu, o Remo também pode segui-lo., Se o Paissandu descer, ambos continuarão a chafurdar na mediocridade por mais tempo.

O público que foi ao Mangueirão no sábado ver o Paissandu empatar por 3 a 3 com o Macaé, de 35 mil pessoas, proporcionou renda recorde no Pará, superior a 1,6 milhão de reais. Foram 100 mil reais acima da receita do jogo que classificou o Vasco para voltar ao topo do futebol brasileiro. Em compensação, foi preciso que 20 mil vascaínos a mais fossem a São Januário, no Rio, para somar mais de R$ 1,6 milhão de arrecadação.

Um torcedor alvi-azul paga muito mais que um carioca para apoiar o seu clube. Em Porto Alegre, 38 mil pessoas viram o Internacional vencer o Atlético Mineiro, mas a renda não chegou a R$ 750 mil. No concorrido futebol baiano, apenas 15 mil torcedores voltaram a se decepcionar com um empate do Bahia, dando renda de menos de R$ 200 mil. Tudo no mesmo sábado.

O torcedor é o grande patrimônio que Remo e Paissandu maltratam e exploram, oferecendo em troca da fidelidade e espírito de sacrifício um futebol medíocre. Só menos medíocre do que as administrações dos dois clubes. Depois de um século, os remistas foram reprovados na primeira eleição direta da sua história para a escolha da diretoria.

Os atos e as cenas foram lamentáveis, levando a uma ainda mais lamentável anulação e a uma nova tentativa de ajustar a estrutura do clube ao mundo dos nossos dias.

O desajuste é tal que nem Remo nem Paissandu, a estimular secadores dos jogos e da história, não se deram conta de que protagonizam o mais longo e mais constante derby (ou seja, clássico) da história não só do futebol brasileiro, mas mundial. Ao invés de procurarem manter e aprimorar essa rivalidade, desperdiçam esse valiosíssimo troféu.

Terça, 11 Novembro 2014 10:42

Menos de 5% de conteúdo de blogs são compartilhados em redes sociais

Escrito por Lúcio Flávio Pinto

A mídia profissional foi a origem de 61% de todos os textos e imagens compartilhados no Twitter e no Facebook nos últimos 10 dias finais do segundo turno da eleição deste ano para presidente da república. Já nos dias seguintes à votação esse percentual subiu 70%, segundo pesquisa realizada pela Folha de S. Paulo.

Os frequentadores das redes sociais acessaram nesse período mais de 617 mil links do jornalismo profissional incluindo jornais, portais, emissoras de rádio e televisão, sites de notícias locais ou a imprensa internacional. No total, foram 27 milhões de postagens no Facebook e pouco mais de um milhão de tuites, retuites e favoritos com links no Twitter.

Tais números contrastam com a porcentagem dos blogs que veicularam material próprio, apurado pelos responsáveis por esses blogs por eles mesmos, de 4,2%, 15 vezes menos do que o suprimento através da imprensa profissional.

Esse quadro devia levar os militantes do grupo de combate ao PIG (Partido da Imprensa Golpista) a se permitir uma reflexão isenta e mais profunda sobre o móvel da sua campanha. Ao invés de pugnar pela eliminação da grande imprensa, negando sua contribuição, não é melhor para a sociedade e para cada um dos seus membros exercer acompanhamento crítico como leitores e também como formadores de opinião?

Melhor entrar no debate, forçando a abertura de uma cunha pluralista numa estrutura corporativa que realmente costuma ser monoliticamente avessa à controvérsia, do que se empenhar pela destruição de um componente fundamental da sociedade democrática, mesmo que usado negativamente. Depois da eleição, a imprensa brasileira emite alguns sinais de crise e também de esperança para quem quer que o poder – o institucional e o informal – continue a ser fiscalizado e inibido nos seus contumazes excessos.

A pesquisa confirma que o tom predominantemente opiniático das redes sociais, com o uso e abuso de juízos de valor, vira pó sem a ossatura dos fatos, cuja apuração requer serviços profissionais de busca, coleta e checagem das informações. Sem essa relativização o cenário passa a ser favorável à definição da verdade pelo perigosíssimo critério apontado por muitos escritores, em especial os cronistas do absurdo: tem razão quem grita mais alto. Sabemos muito bem, pela leitura da história, no que essa cacofonia ideológica resulta. Em geral, no fascismo.

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Publicado originalmente no blog: http://lucioflaviopinto.wordpress.com/2014/11/11/ah-sim-os-fatos/

Quinta, 30 Outubro 2014 07:03

A voz do povo e o eco

Escrito por Miguel Oliveira, editor

A profissão dos candidatos aos cargos proporcionais na eleição deste ano confirma: segurança, educação, saúde e condição espiritual são os principais problemas da população. Nada menos que 48 professores, 31 médicos, 22 policiais (civis e militares), 16 pastores e nove irmãos (e irmãs) postulam um mandato de deputado federal e de deputado estadual.

O número pode ser um tanto maior ou menor, conforme a margem de erro dos institutos de pesquisa, porque a contabilidade tomou por base a declaração dos próprios candidatos. Os números apurados são suficientes para mostrar que o perfil dos aspirantes a cargo eletivo atende, em tese (ou nominalmente), a voz das ruas.

Os policiais deviam estar policiando, assim como os professores dando aulas, os médicos atendendo seus pacientes e os religiosos dando assistência aos fieis. Mas eles preferiram deixar seus locais de trabalho e ir à luta para assumir a representação da sociedade, nas suas especialidades, ou então conseguir um bom emprego graças ao anseio popular.

Foram quatro os delegados candidatos, dentre os quais o delegado Éder Mauro, do PSD, sempre no noticiário policial como um feroz perseguidor de bandidos, foi de longe, o mais votado, carregendo consigo mais dois deputados do PDS. Havia quatro coronéis da PM, um subtenente, 10 sargentos e subsargentos e cinco cabos.

Se todos fossem eleitos, ganharia o seu novo ninho, perdendo os lugares de origem, ou vice-versa? Ou todos ganhariam? Ou todos perderiam? (Lúcio Flávio Pinto)

As urnas responderam. Espera-se que bem.

Sexta, 10 Outubro 2014 21:37

Santarém tucana

Escrito por Miguel Oliveira, editor

Dilma Rousseff recolheu no Pará 12% a mais de votos (2.040.696, ou 53,18% do total) do que a soma de Aécio Neves (1.057.860, ou 25,75%) e Marina Silva (627 mil votos 16,34%) somados. A candidata do PT ultrapassou no Estado, em mais de 10 pontos percentuais, sua média nacional.

Mas em Santarém, terceiro maior colégio eleitoral paraense, Aécio quase empatou com Dilma: a diferença entre eles foi de menos de dois mil votos (54.031 a 55.840 votos), o melhor resultado num local de votação expressiva. A quem se deve esse desempenho, que tem possibilidade de melhorar no 2º turno?

A resposta podia ser encontrada na quarta-feira, quando o PSDB lançou a corrida ao 2º turno, em Brasília. Discretamente, lá estava o candidato do DEM a vice-governador do Pará, Lira Maia. Embora O Liberal de hoje diga que ele compareceu como intruso, na verdade o ex-prefeito de Santarém recebeu convite do comando de campanha tucano.

Lira Maia ficou à sombra para não revelar um fato: embora na coligação que reuniu PMDB e PT, ele fez campanha para Aécio Neves e não para Dilma, mesmo permanecendo integralmente na chapa liderada por Helder Barbalho.

São os desvios da política local que se distanciam da política nacional, num processo de conflito e acomodação.(Lúcio Flávio Pinto)

Sábado, 20 Setembro 2014 08:49

TRT do Pará cumpre decisões do CNJ

Escrito por Miguel Oliveira, editor

Lúcio Flávio Pinto - O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, com jurisdição sobre o Pará e o Amapá, cumpriu, no dia seguinte ao da publicação do acórdão (tema de comentário neste blog), no dia 28 de agosto, as determinações do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, desfazendo todos os atos administrativos impugnados pela corte superior.
Segundo fonte do tribunal, o relator da decisão, ministro Ives Gandra Martins, foi factual quando afirmou que o TRT não corrigira ainda as irregularidades. Mas havia uma razão para essa aparente resistência à adoção das medidas recomendadas: até aquele momento o tribunal recebera apenas um relatório preliminar da auditoria, sobre o qual se manifestou sustentando o entendimento majoritário que resultou nas resoluções impugnadas. Quando o relatório preliminar foi validado pelo conselho superior, o tribunal “imediatamente, desfez seus atos administrativos havidos por irregulares”.
Sustenta a fonte ter sido demonstrado que a instituição “funcionou dentro da boa técnica do direito administrativo: a administração, por uma instância superior, exerce a autotutela e revisa seus próprios atos administrativos. No caso, o CSJT, que é o órgão de cúpula administrativa da Justiça do Trabalho, revisou os atos administrativos do tribunal, que lhe é hierarquicamente inferior”.
Agora o processo seguirá para o Conselho Nacional de Justiça já com esses atos administrativos desfeitos, “o que provocará perda do objeto (desfeitos os atos administrativos pelas iniciativas revisionais do CSJT e do TRT, o CNJ não terá o que determinar ou fazer em relação aos atos desfeitos)”, argumenta a fonte.
Ela reconhece que subsistirá o aspecto disciplinar da decisão do conselho, que é restrito ao vice-presidente, José de Jesus Ribeiro. O CNJ poderá arquivar o processo ou aplicar uma de duas penas disciplinares a que ficam sujeitos desembargadores: disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço ou aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.
Mas o tribunal terá que remeter à Receita Federal a relação dos vencimentos de todos os desembargadores retificadas conforme as determinações do conselho, o que, por si só, implicará no pagamento de multa de pelo menos 20% sobre o valor acrescido, caso cada desembargador, individualmente, prestar sua informação, coerente com o que o TRT forneceu para a Receita. Caso contrário, a multa será de 70%.
O que não é comentado entre os magistrados é que boa parte deles já comprometeu parcela expressiva do salário com o crédito consignado.
Em alguns casos, o comprometimento excede os 30% estabelecidos como limite. Há os que recebem apenas um terço ou até menos dos seus vencimentos brutos quando feitos todos os descontos legais, incluindo a consignação do débito. Como, então, conseguirão assumir nova dívida?

Sábado, 13 Setembro 2014 15:12

Pesquisas divergentes para o governo do Pará

Escrito por Miguel Oliveira, editor

O eleitor paraense está sendo bombardeado pelos meios eletrônicos com uma saraivada de pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Regional Eleitoral.

Pelo menos duas pesquisas já foram divulgadas neste sábado. A pesquisa do Instituto Veiga Consultoria e Pesquisa , o IVEIGA, aponta vantagem de 7 pontos para o candidato do PMDB Helder Barbalho.

Confira o resultado aqui do IVEIGA.

Na pesquisa do Instituto de Pesquisa  Mauricio de Nassau, o IPMN, de Recife, o candidato do PMDB também aparece à frente do recandidato Simão Jatene, com oito pontos de vantagem.

Confira o resultado aqui do IPMN

A TV Liberal registrou pesquisa do IBOPE. Embora não tenha sido divulgada oficialmente, militantes do PSDB postam, desde a  manhã deste sábado, em seus perfis nas redes sociais, que o resultado favorecerá o governador Simão Jatene, por 4 pontos de vantagem, embora o resultado se configure em empate técnico por causa da margem de erro, que é elevada.

O Ibope divulgou o resultado, sábado, no final da tarde. Os números dessa pesquisa são mostrados aqui.

LEIA A ANÁLISE DE LÚCIO FLÁVIO PINTO.

Acesse aqui

Quinta, 11 Setembro 2014 09:05

Eleitor de Aécio, Lira Maia não sobre em palanque de Dilma em Belém

Escrito por Redação

O deputado federal Lira Maia(DEM), candidato a vice-governador não acompanhou seu companheiro de chapa de Helder Barbalho(PMDB) no comício promovido pelo PT, ontem à noite, em Belém, com a presença da candidata do PT à presidencia, Dilma Rousseff, e do ex-presidente Lula. O PT é coligado com o PMDB tanto no plano nacional quanto no estadual.

O DEM, partido de Lira Maia, apóia a candidatura de Aécio Neves à presidência pelo PSDB, com quem o partido está coligado no plano federal.

No material de propaganda impressa do DEM, inclusive, consta o nome de Aécio e não o de Dilma do PT, partido que está coligado com o DEM ao Senado com a candidatura de Paulo Rocha.

Por isso, não faria sentido Lira Maia subir no palanque de Dilma.

Unidades ecológicas brasileiras hospedam mais de 50 mil famílias
Domingo, 31 Agosto 2014 22:14

Unidades ecológicas brasileiras hospedam mais de 50 mil famílias

Escrito por Lúcio Flávio Pinto, articulista de O Estado do Tapajós

O governo federal tem sob a sua jurisdição 313 unidades de conservação espalhadas pelo país, principalmente na Amazônia. Durante os últimos três anos o Ministério do Meio Ambiente, responsável por esse bem público, fez um levantamento sobre a situação em que eles se encontram. Descobriu que 50 mil famílias ocuparam terras dentro dessas unidades ecológicas, das quais só podem ser retiradas se o governo indenizá-las em 6,4 bilhões de reais, valor calculado sobre os direitos de ocupação criados pelo tempo em que o proprietário não manifestou interesse.

Esses dados, divulgados pelo próprio ministério, não impressionaram tanto a imprensa quanto outra informação, repetida ad nauseam, inclusive por aqueles que fazem o jornalismo do corta-e-cola material alheio ou press release: que o governo da presidente Dilma Rousseff ainda não criou uma única unidade de conservação na Amazônia. Para quê? Para deixá-la ser invadida e pagar bilhões de indenização? Para reservá-la aos madeireiros, especuladores, grileiros, posseiros e demais personagens que se valem da inércia oficial? Para fazer de conta que o Brasil é campeão ecológico?

Quarta, 27 Agosto 2014 08:10

O Pará das eleições

Escrito por Lúcio Flávio Pinto, articulista de O Estado do Tapajós

O Pará parece condenado a ser uma anomalia no panorama eleitoral do país. Durante muitos anos por causa tanto das fraudes quanto do mapismo. Sobre as fraudes havia uma história divertida que revelava o grau de manipulação do eleitor pelos coroneis (de barranco) e seus cabos eleitorais. Um morador do interior vai receber a cédula para votar (era assim o processo durante boa parte da república) e recebe uma cédula fechada, como carta lacrada com cola. Pergunta em quem vai votar e recebe como resposta uma observação direta e ríspida: “o voto é secreto, seu cabra”. De muitas localidades do interior chegavam a Belém urnas lacradas dentro das quais os votos estavam arrumadinhos como biscoitos dentro de latas.

Quando as fraudes diminuíram ou desapareceram, continuou a ser decisivo o mapismo, a fraude praticada durante a apuração dos votos e a confecção dos mapas com os resultados (fdaí o mapismo) ou quando as urnas dormiam no prédio do TRE e eram emprenhadas, apesar da fiscalização. Durante esse período, o Pará foi sempre o último Estado a concluir a contagem dos votos.

Manipulação de eleitores ou de votos foi restringida pela votação eletrônica (embora sobre sua integridade ainda perdurem dúvidas e suspeitas. Mas o Pará, ainda assim, não perdeu sua fama. Agora é recordista ou líder em candidatos que se apresentam para as disputas majoritárias e também no número dos pretendentes a esses cargos impugnados perante a justiça eleitoral sob a alegação de serem fichas sujas. No caso da principal disputa, a de governador, se as impugnações forem mantidas antes do dia da votação, sobrarão apenas três candidatos, um recorde negativo em relação às eleições anteriores.

E apesar dos avanços ocorridos no interior, em 40% dos municípios atuarão tropas federais, convocadas pelo TRE, para garantir a lisura dos procedimentos. Ou mesmo a integridade do eleitor.

Pará é isso.

Língua manipulada
Domingo, 24 Agosto 2014 14:00

Língua manipulada

Escrito por Lúcio Flávio Pinto, articulista de O Estado do Tapajós

Ao longo do tempo todos, especialmente os jornalistas, consideraram sob risco de vida quem estivesse ameaçado de morte por acidente. O manual do politicamente correto, dentre outras estultices supostamente valorizadoras da língua nacional, impôs o tratamento de presidenta a Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do Brasil, E passou a exigir que a antiga expressão generalizada passasse a ser “sem risco de morte”.

O cartesianismo é obtuso, acaba com uma tradição mansa e pacífica e barbariza ainda mais o idioma padecente. Uma pessoa que está arriscada a morrer é a mesma sob o risco de perder a vida. O preciosismo é uma estupidez, uma estultice, como diriam os velhos e preciosos filólogos, como Silva Ramos.

Essa praga da ilusão ética e moral parece que continuará a se expandir. Sua vigência remonta há muitos anos. Certa vez, fiquei chocado ao ler no manual de redação da Editora Abril que estava proibido usar o verbo judiar, por sua conotação anti-semita. Quantas vezes, da meninice à adolescência, usei a expressão sem a mais remota consciência do seu significado mais profundo, para nós absolutamente desconhecido?

Tinha (e ainda tenho) muitos amigos judeus e grande admiração por esse povo. Não precisei do almanaque politicamente correto da Abril para abandonar o uso da expressão. Deduzi, ao ver aberto pelo manual o céu da compreensão linguística, que o judiar era próprio de moleques e adolescentes, eliminado naturalmente pela idade adulta, ou da razão. Sem traumas, artificialismo ou secreta conotação.

Por que não deixar o mundo se mover naturalmente, ao invés de tentar conduzi-lo pela mão forte dos moralistas, geralmente falsos e maléficos?

Genocídio de novo

Durante muito tempo pouco foi usada a expressão  (banalização do mal) que Hannah Arendt encnontrou para definir o julgamento do exterminador nazista Adolf Eichmann, levado a julgamento e condenado à morte, em Jerusalém, por sua contribuição para o  holocausto judeu na Segunda Guerra Mundial. Nos úiltimos tempos a definição foi banalizada. Talvez por isso não impressione tanto quanto ao ser cunhada pela grande pensadora alemã. Continua, apesar disso, certeira, sem igual.

O mal é que vem assumindo novas formas, inimagináveis, chocantes. A violência se tornou um furor, uma praga. Violência isolada, individual, ou coletiva, organizada. De impacto localizado ou ressonância universal.

É o caso do que acontece na faixa de Gaza. É um massacre ou um genocídio de Israel contra os 1,8 milhão de palestinos confinados numa área tão estreita que os comprime e expõe entre duas fronteiras fechadas, inclusive a egípcia.

Israel tem suas razões para ter desencadeado a ofensiva atual, minando as bases do Hamas em redutos civis. Mas se o primeiro impulso foi de autodefesa, a escalada chegou ao genocídio cuel, brutal, inaceitável.

Quarta, 20 Agosto 2014 08:00

Preguiça e escândalos são aperitivos da campanha para o governo do Pará

Escrito por Miguel Oliveira, editor

O primeiro programa de rádio dos principais candidatos ao governo do Pará deu o tom, mesmo que sutil, de como será o nível da campanha no horário do TRE.

Quem abriu o programa de rádio nesta quarta-feira foi Helder Barbalho(PMDB). Levou sua mãe, Elcione, para dar um emocionado depoimento sobre sua vida. Três locutores se revezaram . Um deles, deu uma estocada em Jatene: "com o nosso candidato não tem preguiça, não". Helder falou pouco, tempo em que lembrou seu emprego de 'radialista'.

No programa de Jatene, melhor produzido, o hino do Pará ganhou uma remixagem. O primeiro áudio tinha endereço certo: um eleitor agradeceu uma obra do estado na avenida Independência, em Ananindeua, reduto do adversário. O locutor do programa tucano devolveu a estocada: "Não vamos voltar à época dos escândalos".  O candidato falou muito e repetiu o bordão: 'É fácil falar, o difícil é fazer".

José Carlos do PV teve menos de um minuto de programa. Só deu tempo de transmitir o currículo.

O candidato do PSOL se apresentou como ex-auxiliar do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues.

Marco Antônio do PCB abriu a propaganda com o hino da Internacional Socialista.

Terça, 19 Agosto 2014 09:50

Coluna do Estado: Quase sem voz feminina na propaganda do rádio

Escrito por Miguel Oliveira, editor

COLUNA DO ESTADO ( 19.08.20140) - Como era de se prever, os homens dominaram o primeiro programa de propaganda eleitoral, hoje de manhã, nas emissoras de rádio.

Á tarde, os programas vão se repetir.

Pelo andar da carruagem, as aparições na televisões seguirão o mesmo script, porque a produção é 'casada'.

Elcione Barbalho(PMDB) falando dos milhões em emendas e Ana Júlia(PT) coladinha em Dilma se sobressaíram, mas eram minoria.

A maioria esmagadora dos candidatos a deputado federal é masculina.

Nilson Pinto(PSDB) e Miriquinho(PT) se arvoram em se apresentar como os 'pais da educação no Pará'.

Priante repetiu o lenga-lenga que é bom  para 'trazer recursos'.

E Puty(PT) quer surfar na campanha contra o aumento de 34% da conta de energia elétrica.

Engraçado foi ouvir o pastor-deputado Josué Bengson se autointitular 'defensor da família'.

Os feudos regionais também marcaram presença. Os de Castanhal vem com Hélio Leite(DEM), ex-prefeito e Paula Titam(PMDB), filha do prefeito Paulo Titan.

E o velho Gerson Peres não muda sua estratégia de pedir voto, sem  muito rodeio.

 

 

Eleições 2014: O horário eleitoral
Segunda, 18 Agosto 2014 22:30

Eleições 2014: O horário eleitoral

Escrito por Miguel Oliveira, editor

18.08.2014 22h50 - Começa nesta terça-feira a campanha eleitoral no rádio e na televisão.

Chamam isso de horário gratuito, mas de graça nada tem.

Porque, primeiro, as empresas de comunicação que cedem o tempo de sua programação para a Justiça Eleitoral podem abater do Imposto de Renda devido o valor que faturariam nos intervalos comerciais do período.

Segundo, porque o custo de produção de uma campanha majoritária é milionário, todo mundo sabe. Quem recebe mais doação pode produzir melhor programa porque tem grana para contratar os melhores profissionais e alugar equipamentos modernos.

No Pará, por trás da câmeras e microfones, dois renomados marqueteiros têm a responsabilidade de tocar a propaganda, tanto de Jatene quanto de Helder.

Com os tucanos, o time de marketing é o mesmo de campanhas passadas. Orly Bezerra, caboclo papa-chibé, é quem dará as cartas.

Já campanha de Helder contará com o reforço do baiano André Torreta, papa-acarajé, ex-marqueteiro da família Sarney, no Amapá e Maranhão.

Quem levará a melhor?

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19.08.2014 07h50 - O primeiro programa de rádio da propaganda política foi para presidente da republica e deputado federal. Ao meio-dia vai ser repetido.  eça

Segunda, 11 Agosto 2014 22:38

Uma mulher corajosa e magistrada pioneira

Escrito por Miguel Oliveira, editor

 

Com o artigo que reproduzo em seguida, Expedito Leal impediu que se consumasse uma injustiça com a desembargadora Lydia Fernandes, a primeira mulher a assumir a presidência na justiça estadual no Brasil. A grande imprensa se limitou a publicar o anúncio fúnebre pago, sem atentar para a significação da personagem.(Lúcio Flávio Pinto)

"A desembargadora Lydia Dias Fernandes que morreu na semana passada já com idade provecta, não foi somente a primeira mulher a presidir um tribunal de justiça no pais. O que já seria uma honraria. Ela era sobretudo uma mulher corajosa, altiva no exercício da magistratura.

Lembro que quando ocorreram os graves incidentes em Santarém (1968) com a refrega que vitimou com mortes quatro pessoas e deixou gravemente ferido o major Veloso, da Aeronáutica, que tomara as dores pelo ex-prefeito Elias Pinto, cassado pela Câmara Municipal e com ordem de retorno ao cargo através de mandado de segurança, a então juíza Lydia Fernandes mostrou sua coragem. O recurso do governo do Estado julgado pelo pleno do TJE, que ela integrava e depois viria a presidir, só teve um voto a favor de Elias Pinto. Justamente o dela. O semanário Flash naquele tempo, mesmo já se vivendo o duro regime ditatorial militar, continuava sendo um destemido jornal panfletário e estampou em sua capa: Uma saia que vale mais do que 10 calças, em alusão à coragem de Lydia cotejando-se com seus pares do tribunal, todos homens.

Quando eu cobria o Fórum para O Liberal, na condição de presidente (naquela tempo ainda se dizia assim...), a Dra. Lydia concedeu-me várias entrevistas.Todas com a polidez que era uma das características de seu temperamento de uma magistrada sensata, dócil e sobretudo humana.Uma figura que em toda a sua longa carreira honrou a magistratura paraense. Sem contar a simplicidade com que exercia o cargo de presidente da mais alta instituição de justiça no Estado."