Sexta, 22 Novembro 2013 08:53

Ensinar e aprender, em tempos de campanha para a Reitoria (2)

Escrito por Anselmo Colares

No artigo anterior, demonstrei que em uma campanha a possibilidade de aprendizado é muito grande. Mas como todo aprendizado, pode ser de natureza diversa. Somos nós que fazemos as escolhas. Eu escolhi aprender a ouvir o que não seria dito em outro contexto, e a aprender a reagir em situações adversas, mantendo a calma e perdoando, porque os ânimos se exaltam quando defendemos uma causa, mesmo que ela seja inadequada na interpretação do lado oponente. 

Este período encerrou. Agora começa nova etapa. Outras aprendizagens estão por vir. Mas as lições permanecem. A maior delas, sem dúvida, foi a de que as pessoas reagem afirmativamente quando acreditam em uma mudança na qual se vejam como partícipes, e que ainda há muitos que são capazes de abrir mão de ganhos pessoais por uma causa coletiva. Justamente por conta desta última constatação, aproveito para agradecer a todos que se empenharam na campanha, tanto de uma chapa quanto da outra, apenas por acreditarem no que estavam defendendo. Entendo que somente estes são merecedores do reconhecimento social.

Aqueles que se integram no processo apenas em busca de recompensas pessoais que se materializam em cargos, são capazes de estar em qualquer lado, independente das concepções serem completamente opostas. Pessoas que apresentam este tipo de postura, tenho dúvidas se ainda podem ser modificadas, apesar de acreditar muito na capacidade de ensinar e de aprender. Isto porque depende fundamentalmente delas próprias desejarem sair do individualismo em prol do coletivo.

Terça, 12 Novembro 2013 11:52

Ensinar e aprender, em tempos de campanha para a Reitoria (1)

Escrito por Anselmo Colares

Desde o dia 29 de outubro estou vivendo uma nova experiência em minha carreira docente universitária: candidato a Vice Reitor na Universidade Federal do Oeste do Pará. Tem sido gratificante pois é uma excelente oportunidade para aprender e ensinar, neste processo de escuta e de diálogo que caracteriza uma campanha. Tenho me esforçado para qualificar o debate em torno de ideias e de proposições, fundamentadas em concepções e princípios. E estou convicto de que isto é o que desejam os eleitores, para que possam fazer suas escolhas com segurança.

Descobri que os problemas podem ser maiores ou menores do que nos dizem, todavia, o mais importante é que há soluções, e muitas vezes elas são simples e estão muito próximas, basta que ocorra uma sintonia entre quem tem o poder e quem tem o conhecimento. Nem sempre uma só pessoa consegue reunir estes dois polos, por isso mesmo, o diálogo construtivo é essencial para que as melhorias ocorram.

Vivendo a experiência de candidato nestes poucos dias, aprendi muito. E creio que ensinei também. Na minha concepção de educação estes dois polos são inseparáveis. Todos precisam aprender. Isso é condição essencial para sobreviver. E todos ensinam, mesmo que as vezes não estejam conscientes disso. Daí decorre também que o ensino possa ser proveitoso, criativo, solidário, ou o seu inverso, equivocado, repetitivo, egoísta. E até maldoso. Estas reflexões me levam a concluir que o aprender e o ensinar são a essência do existir. Somos seres que dependemos uns dos outros, por isso mesmo, aprendemos de alguém, e para alguém devemos ensinar, a fim de que o conhecimento se amplie. Mas é importante também cuidar do conteúdo que é ensinado, e da qualidade do que é aprendido, para que o mundo se torne melhor.

Terça, 05 Novembro 2013 07:17

O destino da antiga pista do aeroporto de Santarém

Escrito por Anselmo Colares
Muitos anúncios já foram feitos dando conta da existência de projetos do executivo municipal para a utilização da antiga pista do aeroporto como espaço de lazer destinado a grandes eventos públicos. Nas sugestões já divulgadas fica claro que existe a necessidade e os investimentos são plenamente justificados, principalmente se considerarmos o espaço é mais amplo do que a orla, onde ocorre praticamente todo tipo de atividade de cunho cultural. Mas é preciso que os projetos sejam discutidos e viabilizados, antes que aquela área se torne inviável por conta das construções e seus respectivos usos. Sem que haja uma previsão do que vai ser feito, hoje tudo é permito. Quando tentarem impedir pode ser tarde demais.
Quarta, 30 Outubro 2013 22:20

UFOPA em debate (2)

Escrito por Anselmo Colares

A administração superior de uma universidade tem a responsabilidade pela sua estruturação física e acadêmica. Isto implica em gerenciar recursos financeiros e pessoas, muitas delas com alta qualificação.

Por isso é muito importante que os eleitores compreendam  os projetos em disputa. No caso da UFOPA, é bem visível uma diferença, identificada inclusive nos nomes das chapas.

A primeira a ser inscrita "gestão participativa com excelência" fundamenta-se no argumento que há muitos problemas e que é preciso mudança.

A segunda a ser inscrita "Orgulho de ser UFOPA" considera que as grandes conquistas dos quatros anos da atual gestão não podem correr riscos de interrupção.

Eis portanto o grande mote deste processo eleitoral: uma espécie de avaliação dos seus quatro anos de implantação.

Terça, 29 Outubro 2013 08:57

UFOPA em debate (1)

Escrito por Anselmo Colares

Criada em dezembro se 2009, a Universidade Federal do Oeste do Pará  (UFOPA) terá seu primeiro processo de consulta para definição dos dois principais dirigentes, Reitor e Vice Reitor. Trata-se de um procedimento previsto na Lei e que tem sofrido adaptações ao longo dos anos, com vistas a ficar mais próximo da democracia almejada pelos diversos segmentos que constituem as universidades, de forma que docentes, tecnicos e estudantes tenham igual poder na escolha dos dirigentes.


A consulta aos três segmentos será no dia 18 de novembro, mas depois, como determina a Lei, o conselho máximo da instituição, denominado CONSUN fará uma espécie de votação interna para definir os nomes a serem enviados ao Ministro da Educação que tem a prerrogativa de nomear o Reitor, e este, nomeia o seu Vice.


Apesar das diferenças reais ou presumíveis entre os projetos em disputa, tem sido usual o respeito pela escolha dos nomes mais votados na consulta a comunidade, tanto por parte dos conselhos nas universidades quanto pelo Ministro da Educação.

Terça, 22 Outubro 2013 09:31

Dia de finados. Lições de vida (2)

Escrito por Anselmo Colares

No artigo anterior, propus uma reflexão sobre a vida, considerando o dia de finados, por ser uma data emblemática que nos obriga a pensar sobre semelhanças por sermos todos mortais e sobre as diferenças que desaparecem bruscamente, mesmo que os vivos ainda insistam em mantê-las.

Somos seres constituídos de matéria, destrutível, e de uma forma especial de energia que não se acaba. A maioria das religiões dizem ser nossa vida espiritual, eterna, indestrutível. Divergem sobre detalhes, mas se aproximam bastante de um entendimento de que na vida espiritual não conta as riquezas materiais, mas tão somente o amor, a caridade e as boas ações que praticamos enquanto vivemos.

Podemos até não querer aceitar a explicação religiosa da continuidade da vida, mas a ciência nos assegura que a energia é indestrutível. E se nesta continuidade alguma coisa restar da consciência, temos a liberdade para escolher, a partir do que fizermos e do tesouro que acumularmos não em riquezas materiais, que não podemos levar, mas nas coisas boas que quando praticamos, geram um bem estar que nos deixa cheios de amor. Eis o único tesouro que não pode ser roubado, e que tem chances de seguir com o nosso espirito ao deixarmos a existência material.

TEXTO CORRELATO:

Dia de finados Loções de vida (1)

Domingo, 20 Outubro 2013 08:59

Dia de finados. Lições de vida (1)

Escrito por Anselmo Colares

Estamos nos aproximando de uma data que se aplica a todos, mesmo aos que a ela não se identificam. Trata-se do dia de finados. Afinal, morrer é uma sentença que cada um recebe ao nascer. Mesmo não sabendo quando será e em que circunstancias, trata-se da única certeza que carregamos.

Mas costumamos esquecer da nossa condição de mortais quando tudo está bem conosco e com os mais próximos de nosso convívio. Talvez seja um mecanismo de defesa, uma fuga para que possamos desfrutar de um pouco de felicidade e de paz, tão necessárias em um mundo cheio de problemas.

Todavia, no dia de finados, somos chamados a refletir sobre nossa condição mortal, fazer um balanço do que estamos fazendo na vida e lembrarmos dos que já não se encontram conosco. É um bom momento para rever conceitos e perceber que, ao menos nesta ocorrência, somos todos iguais.

Não adianta querer manter as diferenças construindo túmulos que parecem mansões, ou santificando quem partiu, ou lamentando o que devia ter feito por aquela pessoa.

Precisamos fazer o melhor que podemos enquanto vivemos, e isto significa participar do esforço coletivo para reduzir as diferenças, afinal, se somos iguais para morrer, podemos construir uma igualdade para viver.

Segunda, 14 Outubro 2013 09:11

Alter do Chão, depois do Çairé

Escrito por Anselmo Colares

Nas semanas que antecederam o Çairé fui várias vezes a nossa mais badalada vila balneária e constatei que havia uma grande movimentação de equipes de trabalhadores ligados  a Prefeitura preparando o ambiente para as festividades. Os serviços incluíam limpeza, recuperação e melhorias de ruas. Alguns trechos até receberam asfalto. Mas ai começam os problemas.

Primeiro, não basta cuidar bem de uma jóia preciosa como Alter do Chão apenas quando vai ser submetida a uma exposição. Ela precisa e merece receber atenção permanente. Claro que a época do Sairé justifica um cuidado especial, mas o que estou questionando é quanto a permanência dos serviços, mesmo que com menor intensidade.

O segundo problema que destaco é quanto ao asfalto, que tem um alto custo e por esta razão não pode ser feito para ser destruído logo em seguida, antes mesmo de ser festejado o seu primeiro ano. Asfalto é objeto de desejo de todo morador. Mesmo que isso possa ser contestado, é inegável que provoca melhoria nas casas, gerando emprego e renda pela movimentação no comércio. E promove um bem estar quase indescritível por conta da redução da poeira nas residências.

Mas é preciso que a Prefeitura faça algum tipo de proteção nas bordas laterais antes que as primeiras chuvas mais fortes iniciem o processo de destruição de fora para dentro. Isto é o mínimo que se espera em termos de zelo pela aplicação dos recursos públicos. Melhor gastar um pouco mais para conservar, do que deixar tudo se perder.

Segunda, 30 Setembro 2013 09:38

Meio século (Final)

Escrito por Anselmo Colares

Fechando esta trilogia que teve como base os 50 anos de vida deste articulista, e após ter discorrido sobre as aprendizagens obtidas e as escolhas que podemos fazer, vou concluir sinalizando o que busco realizar. E desde já, quero expressar meu entendimento de que todos nós temos uma missão a cumprir, mas a forma ou mesmo a sua concretização não estão previamente estabelecidas, pois temos livre arbítrio, por meio das escolhas que fazemos.

Pois bem, considerando tudo o que expus, mesmo que sinteticamente, nos textos anteriores, posso assegurar que meu maior desejo é continuar progredindo, mas tendo em vista a média de duração de vida da espécie humana, estou cada vez mais buscando o progresso espiritual que o progresso material, apesar de reconhecer que ambos são importantes tendo em vista que somos corpo e alma.

Mas o progresso material tem que estar subordinado ao progresso espiritual, que pode também ser traduzo por progresso moral, conduta ilibada e reveladora de um caráter inquestionável na busca e na concretização da verdade, da caridade e do amor incondicional. De nada adiantam honras e riquezas se o espírito estiver ofuscado pela vaidade e pelo orgulho, cheio de rancor e desejo de vingança, contaminado de ondas de energia negativas que impedem que seja livre e feliz.

Desde que soube da história de Francisco de Assis, sempre apreciei a sua coragem e a sua determinação em seguir um propósito, e principalmente a sua nobreza de atitude perante os mais simples e necessitados de amparo. Sei que estou muito distante dele, e nem ouso comparação alguma, mas acredito que posso pedir e desejar ser inspirado em suas palavras e ações.

Assim sendo, continuar progredindo significa um esforço permanente para ser instrumento da paz, semeador de esperança e de amor, praticante do perdão e da verdade, contagiado pela fé e pela alegria, levando sempre a mensagem da união e da busca de luz, para que assim possa mais “Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.” Difícil? Sem dúvida. Impossível? Não. Posso afirmar com a segurança do que aprendi nestes 50 anos de vida.

Segunda, 23 Setembro 2013 10:12

Meio século(parte 2)

Escrito por Anselmo Colares

No texto anterior, pontuei algumas constatações as quais um cinquentário pode chegar, levando em conta sua trajetória no mundo e com as outras pessoas com as quais teve a oportunidade de conviver. Hoje prossigo nesta reflexão, declarando meu agradecimento a Deus por todas as coisas boas e ruins que vivi, porque em todas elas sempre estão presentes as possibilidades de aprendizagem. E como escolhi ensinar, sou movido pela vontade de aprender. Quanto mais aprendo, mas tenho o que ensinar, e mais me fortaleço na responsabilidade de servir.

Todavia, ao longo de nossa existência, temos que constantemente fazer escolhas. E neste campo, o da aprendizagem, não é diferente: Podemos aprender a ser honestos, e aprender a ser corruptos.

Podemos aprender a ser humildes, a aprender a ser arrogantes. Podemos aprender a respeitar as diferenças, ou aprender a impor nossas opiniões. Podemos aprender a amar, indistintamente, como o Mestre Jesus proclamou, ou represar este nobre sentimento, para que seja irradiado apenas entre aqueles dos quais esperamos algum retorno.

Mas digo de coração e alma, que a maior conquista destes cinquenta anos, tem sido a maior compreensão da brevidade da existência diante da eternidade que os sentimentos podem ter. E que é mais interessante construir pontes do que abismos, é mais gratificante compartilhar do que querer se apropriar egoisticamente de coisas que não nos pertencem. Afinal, o corpo e tudo o que é material como ele, se deteriora e se acaba. O que então vale a pena? No próximo texto, trato desta questão.

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