Segunda, 08 Julho 2013 08:51

Radicalidade e Violência versus Intransigência e Banditismo

Escrito por Anselmo Colares

No artigo anterior fiz uma breve análise sobre as manifestações que tomaram conta das ruas do Brasil nas últimas semanas e apontei a radicalidade e a violência como seus vetores. Todavia, importa compreendermos o sentido etimológico e social destes termos. Radicalidade de ir as raízes e, neste sentido, o grupo que está na base das manifestações reivindica que o transporte público seja tratado como uma obrigação do Estado para com os cidadãos, sendo efetivamente público, tais como já o são outros serviços como educação, saúde e segurança. Apesar de deficitários. A violência, também vista sob etimológica e social, e mais o “tempero” psicológico, inclui todas as formas de opressão e ações nas quais o outro seja desrespeitado em seus direitos ou em sua condição humana. Neste sentido, vai muito além do mundo físico.

Estes dois conceitos, radicalidade e violência, na minha opinião, nos ajudam a entender melhor as motivações, os desejos, e os limites das manifestações. Na medida em que avançamos na compreensão de cada um deles, temos mais elementos para um posicionamento imparcial e objetivo. Nas multidões que se formaram, há grupos politizados pela consciência da importância de radicalizar no campo das lutas contra a violência que é pratica pelos políticos que ocupam os cargos. Mas nas multidões há um grande número que não atingiu este nível de reflexão, e estão apenas “curtindo” como o fazem ao clicar em uma foto que circula nas páginas virtuais. E pior que isso são os que se aproveitam do aglomerado e do caminho aberto pelo avanço sobre uma propriedade pública ou provada, para cometer saques. Nestes casos, aqueles conceitos de radicalidade e de violência não se aplicam. Prefiro dizer que sejam atos de banditismo. Mas em grande parte eles ocorrem porque o caminho foi aberto pela instransigência dos que excedem na radicalidade. Uma pessoa indignada, revoltada, violentada em seus direitos, pode virar uma “fera” e praticar outras formas de violência. Imagina uma multidão de pessoas neste estado, reconhecendo-se iguais nos sofrimentos e identificando uma causa em comum para suas aflições! Isto é pólvora viva para qualquer conflito. Seja revolta, motim ou revolução. Mas o resultado depende de outros fatores, entre os quais a extensão da radicalidade no sentido político do termo, e a conseqüente revisão das formas como a realidade até então foi tratada. Esvaziado deste conteúdo, pode não passar de espetáculo. Em suma. Desviando-se do sentido etimológico, a radicalidade se torna intrasigência e inviabiliza o avanço, pois se torna carregada de autoritarismo e amplia a violência para o campo do delito e do crime.      

 

Sexta, 28 Junho 2013 15:58

Radicalidade e Violência como vetores das Manifestações

Escrito por Anselmo Colares

As manifestações que estão em curso pelo Brasil estão cumprindo um importante papel no sentido de despertar varias pessoas para a força da reivindicação coletiva.

A maioria dos manifestantes é constituída de jovens, sem filiação partidária. Mas isto não quer dizer que seja esta a "cara" ou a origem do movimento. Nenhum episódio desta dimensão inicia do nada, sem um impulso, sem uma organização e sem uma direção almejada.

No principio destas movimentações o movimento pelo passe livre teve papel decisivo. E não se trata de um grupo apolitico e nem necessariamente ordeiro como alguns desejam que fossem. Eles entendem que conquista é fruto da luta, e que historicamente isto tem se revestido de confrontos, não só de idéias, mas também físico. E em ambos se faz presente a violência.

Governos que negligenciam em suas tarefas, praticam a corrupção e não promovem melhorias sociais cometem violência. E contra eles se insurgem todos aqueles que assumem uma posição radical de compreensão da realidade em sintonia com os versos da canção de Geraldo Vandré que embalou a resistência ao Regime Militar de 1964: Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Mas a violência e a radicalidade as quais estou me referindo não tem nada a ver com banditismo e intransigência. No próximo artigo, vou explorar um pouco mais estes conceitos e seus desdobramentos.

Quinta, 20 Junho 2013 20:44

Sobre o “aniversário” de Santarém (parte 2)

Escrito por Anselmo Colares

22 de junho de 1661 é a data mais antiga segundo os registros de cronistas e documentos oficiais, em que se encontram referências ao que hoje conhecemos como cidade, município, ou simplesmente Santarém. O que temos hoje é a continuidade do que foi desde que o primeiro ser humano aqui se estabeleceu. Mas o problema é que não se sabe quem foi nem quando este primeiro ser humano resolveu fixar morada nas cercanias deste rio que nos encanta com águas límpidas e praias brancas que se expõem na estação menos chuvosa.

Considerando que em 1661 tivemos a fundação da Aldeia dos Tapajó, em 1757 a Vila de Santarém, e em 1847 a cidade de Santarém, a rigor, permanece a polêmica e prevalece mesmo a convenção e, de certa forma, o poder impositivo de quem teve maior prestigio ou melhor se documentou para fazer a defesa do 22 de junho, encerrando o ciclo de festejos que ocorria em 24 de outubro. Neste caso específico, difícil contestar a Lei e a autoridade moral das pessoas que fizeram a mudança.

Eu particularmente penso que o problema maior tem sido o esquecimento das outras datas, especialmente a segunda, como se o 22 de junho fosse suficiente para demarcar a nossa história. Tão importante quanto a fundação da aldeia, foi a passagem para vila e para a categoria de cidade. O primeiro marco foi religioso, o segundo político, e o terceiro uma mescla dos dois e também já com a força do crescimento econômicos. Portanto, todos merecem ser lembrados e valorizados.

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Sexta, 14 Junho 2013 18:00

Sobre o “aniversário” de Santarém (Parte 1)

Escrito por Anselmo Colares

Nos próximos dias, Santarém vai festejar 352 anos. Mas, afinal, a que se refere esta contagem? Algumas pessoas dizem que a cidade “faz aniversário”. Mas, a rigor, o festejo neste caso deveria ser no dia 24 de outubro, quando a então vila foi elevada a categoria de cidade, no ano de 1847. Noventa anos antes, ou seja, em 1757, já tinha subido um degrau na escalada hierárquica de progresso administrativo ao deixar de ser um simples aldeamento jesuítico para se tornar Vila, por determinação do então Governador do Grão Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado. E foi a partir de então que o nome Santarém passou a ser utilizado. A contagem dos 352 anos, e a data 22 de junho nos remetem para a chegada do padre jesuíta Felipe Bettendorff, o qual “fundou” a Aldeia dos Tapajó nos moldes do projeto colonizador lusitano.

Temos então três datas em referência. Por muito tempo se festejou o 24 de outubro, acertadamente como o aniversário da cidade. Depois foi oficializado o 22 de junho (Lei Municipal nº 9.270, de 02 de julho de 1991), e desde então Santarém ficou mais velha. Não necessariamente a cidade (cuja categorização oficial é de 1847, portanto, em 2013 completa 166 anos), mas o espaço-tempo-ocupação desde a chegada de Bettendorff. A contagem também poderia registrar 256 anos se o cálculo tivesse como referência o uso oficial do nome Santarém. E então, pode perguntar o leitor: Qual o certo? O que mesmo estaremos comemorando? Lanço o convite para que pensem a respeito. Na próxima semana, vou apresentar a minha opinião.

 

Quinta, 06 Junho 2013 17:00

Urbanização de Monte Alegre

Escrito por Anselmo Colares

Semana passado estive ministrando uma disciplina no município de Monte Alegre, e tive a oportunidade de circular por diversos bairros da cidade. Me chamou a atenção positivamente a limpeza e as condições gerais das vias públicas. Notei que a Prefeitura, já desde administrações anteriores, tem se preocupado com a urbanização, e evitando que se instale o caos em matéria de trafegabilidade. Aqui me refiro muito mais a garantia do direito de ir e ver para todos do que ao fluxo de veículos.

Asfalto de boa qualidade e acompanhado de um sistema de drenagem que contribui para prolongar a sua vida útil, e, consequentemente, representando zelo na aplicação dos recursos públicos. Essa é a impressão que tive à primeira vista. Sei que é muito superficial e precisa ser cotejada com outras informações tais como os custos e a correta aplicação do que foi previsto, bem como o prazo correto na execução das obras.

Mas, como afirma o dito popular: "a primeira impressão é a que fica". E neste caso, a primeira impressão foi muito boa. Acredito que a expectativa da população é de que o atual prefeito faça a manutenção do que encontrou e amplie a urbanização para os bairros mais afastados da região central, agindo de forma proativa e deixando um grande legado de sua passagem como gestor de uma cidade que tem uma longa e rica história. E que pode ter um futuro exuberante, dependendo do que for feito no presente.

Sexta, 31 Maio 2013 14:49

Ir e Vir. Como garantir e proteger este direito?

Escrito por Anselmo Colares

Assisti pelo noticiário televisivo à manifestação dos mototaxistas em Santarém. Notei que há uma série de problemas conjugados que motivaram a manifestação, mas que, na essência, está em jogo a concorrência desleal que os legalizados enfrentam, reduzindo suas possibilidades de ganho financeiro.

Coibir os clandestinos é tarefa dificil mas necessária e urgente. Aliás, este é um tipo de atividade que só existe devido a ineficiência dos transportes coletivos. Legalizado ou não, é uma espécie de bomba relógio sempre na iminência de explodir e espalhar estilhaços para todos os lados.

Mas quero destacar um aspecto que me parece central a partir do ocorrido. O chamado direito de ir e vir, que foi violado pelos manifestantes, na ótica de quem precisava trafegar pela Fernando Guilhon. Mototaxista um dia, uma outra categoria profissional outro dia, o certo é que estamos todos muito vulneráveis  e órfãos desse direito enquanto a Fernando Guilhon for a unica via de acesso ao aeroporto e aquela grande área do santarnzinho e adjacencias, sem contar que é tambem a passagem para uma das mais famosas e importantes praias de água doce do mundo.

Em sintese: garantir o direito de ir e vir, passa, necessariamente, por uma atitude dos nossos governantes que denote uma visão de futuro, construindo uma nova via de acesso ao aeroporto e a Alter do Chão.

Quinta, 23 Maio 2013 17:36

Do caos ao cal

Escrito por Anselmo Colares

O prefeito Alexandre Von, ao assumir a Prefeitura Municipal de Santarém no dia primeiro de janeiro de 2013, recebeu uma herança indesejável em vários setores administrativos - que por sua vez já haviam sido transmitidos por vários governos anteriores - mas, provavelmente, o maior deles, ou pelo menos o mais visível, seja a situação caótica das vias púbicas. Excetuando algumas que ainda estão recobertas de asfalto, e os trechos que ficam situados em locais mais altos ou melhor urbanizados, as demais artérias são calamitosas. Algumas totalmente inviáveis para a circulação de carros e até se pessoas.
Resolver esta situação passa a ser um imperativo para um governante que deseja ter respaldo para seguir carreira, e para demonstrar que de fato se porta pelos problemas da coletividade. Ir e vir, se constitui um direito fundamental pois se relaciona com outras necessidades fundamentais tais como o acesso aos locais e aos serviços de saúde, de educação, trabalho e segurança.
Pelo que estou observando nestes primeiros meses de governo, e acredito que o período chuvoso que enfrentamos não permite que se faça muito mais que isso, o prefeito por intermédio da secretaria responsável e de suas equipes de trabalho, está fazendo um esforço de, ao menos, evitar que o caos seja ampliado. E para disfarçar um pouco está sendo feita a limpeza e aplicado uma pintura de cal no meio fio das tuas que possuem este item. É um paliativo, sem duvida, mas pelo menos um pouco de cal é melhor que o caos absoluto.

Domingo, 19 Maio 2013 18:41

O Futuro da UFOPA (I)

Escrito por Anselmo Colares

Esta semana participei de um evento na Universidade de São Paulo - a maior instituição de ensino superior do Brasil. Criada na década de 1930, é considerada a primeira nos moldes jurídico administrativo do que se considera uma Universidade, tendo em vista a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão, assim como a existência de cursos em pelo menos três grandes áreas do conhecimento.
Hoje a USP é reconhecida mundialmente e impressiona a qualquer um pela exuberância dos números em todos os aspectos.

Mas um dia já foi apenas sonho, apenas idéia, apenas projeto. Por outro lado, a evocação da memória nos leva a admitir que ela só chegou ao estágio que se encontra porque contou com a ação planejada e arrojada de pessoas que acreditaram que é possível construir o futuro. Mas, para isso, contam com apoio e também buscam apoio e parcerias.

A questão que me coloco é com relação a UFOPA. Como ela está sendo construída? Que futuro podemos  almejar? Como estão sendo formalizada as parcerias? E as pessoas, como participam dessa construção? Estas e outras questões precisam ser feitas e respondidas se de fato quisermos que a UFOPA figure no rol das IFES que merecem credibilidade.

Prof. Dr. Anselmo Alencar Colares. 

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