SENAR é contratado pela SECTET para ministrar curso de agricultura orgânica em Santarém e Itaituba

A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet) abriu inscrições para cursos de Educação Profissional e Tecnológica, destinados a jovens e adultos, a serem executados por Unidades de Ensino do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR Regional Pará, instituição contratada pela SECTET.

São oferecidas 1.200 vagas nas modalidades de Formação Inicial, Aperfeiçoamento e Qualificação Profissional (de caráter teórico--prático, presencial), dirigidos a apoiar atividades produtivas voltadas aos setores da Agricultura, Pecuária, Apoio Agrossilvopastoril e Agroindústria, com vistas à execução do Programa Pará Profissional, em 24 municípios do Pará, entre os quais Santarém e Itaituba.

As inscrições são gratuitas e obedecerão ao período de realização dos cursos. O edital completo pode ser obtido no site www.sectet.pa.gov.br.

Para Itaituba e Santarém está disponível inscrição para o curso de Agricultor Orgânico( 20 vagas). É necessário ensino Fundamental 1 Incompleto (1º ao 5º ano). O objeto do curso é com base nas técnicas da produção orgânica, o manejo do solo e das culturas, a produção de sementes, e mudas, o transplante, a colheita, comercialização e logística de produtos orgânicos

REQUISITOS PARA INGRESSO NO CURSO

Os participantes devem ter idade mínima de 18 anos, Ser trabalhador, com ou sem vínculo empregatício incluído os trabalhadores domésticos, agricultores familiares, silvicultores, aquicultores, extrativistas, catadores de materiais reciclados e reutilizáveis, pescadores, fruticultores, povos indígenas e comunidades quilombolas, autônomos, de acordo com classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, independentemente de exercerem ou não ocupação remunerada, ou de estarem ou não no exercício de suas ocupações;

Ser beneficiário de programas de transferência de renda;

Ser estudante da rede pública, incluindo os da educação de jovens e adultos, bem como aqueles que se encontrem em cumprimento de medidas socioeducativas, nos termos das normas que regulam a matéria;

Estar cursando o ensino fundamental ou médio na rede pública ou em instituições privadas na condição de bolsista, integral ou parcial.

Som automotivo não é mais patrimônio cultural de Belém, determina veto
Quinta, 12 Outubro 2017 10:04

Som automotivo não é mais patrimônio cultural de Belém, determina veto

Escrito por Fernanda Palheta, DOL

Foi vetado na última sexta-feira (6), o projeto de Lei nº 064, de 4 de setembro de 2017, que reconhece a Sonorização e Estilização Automotiva como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém. O documento com o veto foi divulgado no Diário Oficial, em emissão assinada pelo Gabinete da Prefeitura de Belém.

O projeto de lei é de autoria do presidente da Câmara Municipal de Belém, Mauro Freitas (PSDC). Entre os principais argumentos, destacam-se a preservação e controle do meio ambiente e o combate à poluição sonora.

No documento, dentre as justificativas, a Prefeitura explica que "o reconhecimento não se traduz em significativa manifestação cultural, jamais podendo ser reconhecida como grupo formador da sociedade local, não se constituindo nenhuma referência à identidade ou memória para a socieddade paraense, sequer propiciano qualquer espécie de legado."

A sonorização automotiva é um processo de instalação e ajuste de equipamento de som em automóveis, seja dentro do veículo, no porta-malas, ou nas carretinhas atreladas. E a estilização consiste na alteração da cor do carro, da suspensação e utilização de acessórios.

APROVAÇÃO

projeto de lei foi aprovado em setembro (4), decretando o dia 7 de agosto como data comemorativa do "Dia do Som e Estilização Automotiva em Belém". Na época, foi argumentado que com a aprovação da lei seriam gerados emprego e renda, além da valorização cultural.

Assim como outros parlamentares presentes, o vereador Elenilson Pontes chegou a defender a importância de valorizar as pessoas que trabalham no ramo. A presidente da Associação Som Automotivo do Pará, Michele Bastos, disse que "não quer apenas a liberação do som, mas também a regularização e conscientização tanto dos participantes do som automotivo, quanto da população."

AGRESSÃO AO MEIO AMBIENTE

 

A promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público do Estado (MPPA) chegou a manifestar sua intenção de veto para o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho. A justificativa feita pelo promotor Benedito Wilson foi de que a lei é lesiva ao meio ambiente, tendo em vista que a poluição sonora é crime, segundo artigo 54 da lei de Meio Ambiente.

Mercado das Flores tem mais de 5 mil plantas para venda em Santarém
Quarta, 11 Outubro 2017 17:05

Mercado das Flores tem mais de 5 mil plantas para venda em Santarém

Escrito por Dannie Oliveira, Agência Santarém

Vermelho, azul, amarelo, rosa, lilás, branco e verde. As cores são em diferentes tons e chamam a atenção não somente pela beleza, mas também pelas texturas, formas e tamanhos das variedades de plantas ornamentais expostas no Mercado das Flores.

Instalado nas dependências do Mercado da Prainha, o espaço é administrado pela Associação Flores do Tapajós e tem supervisão da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap).

No local são encontradas mais de cinco mil plantas de espécies frutíferas, ornamentais, medicinais e de arborização, que custam em média de R$ 2 a R$ 600. As mudas são oriundas de viveiros de 23 produtores de Santarém e Mojuí dos Campos. Três vezes por semana o mercado recebe novas plantas.

A rosa do deserto é a variedade com maior procura, seguida pelas orquídeas e cactos, mas a planta mais rara do local é a Palmeira Bismarckia, também conhecida como palmeira azul, cujas sementes precisam vir de fora da cidade.

Celsa Nogueira é uma das frequentadoras assíduas do Mercado das Flores. Ela lembra que desde os 13 anos cultiva plantas e que após um período ausente da atividade, voltou ao hobbie após um momento difícil na sua vida. "As plantas melhoram o nosso humor,traz uma paz e esquecemos os problemas. Quando você está triste e cultiva um jardim você fica alegre. EuTinha um espaço em casa e parei com o tempo, mas com a morte do meu filho as plantas viraram minha terapia. Conheci muita gente que curou estresse e depressão cuidando de flores e na minha vida foi algo transformador".

A Associação Flores do Tapajós, atende atualmente 15 cidades do estado e conta com clientes também fora do estado, como nas capitais Manaus e Oiapoque. A Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará são parceiras nas atividades dos produtores de flores. Para o presidente da entidade, Luís Menezes a consolidação de um espaço próprio foi uma conquista importante.

"O mercado centralizou a produção e venda de plantas na região. Antigamente se você queria uma planta tinha que se deslocar até alguma comunidade distante onde os produtores tinham os viveiros, hoje está tudo centralizado aqui e também no Cristo Rei. Hoje no Mercado das Flores existem mais de 5 mil tipos de plantas. Em um ano de atividades foram comercializadas mais de 150 mil mudas. A nossa meta é ampliar ainda mais as variedades disponíveis e atender novas cidades na Região Norte"

PRF apreende armas, munições e animais mortos em fiscalização na BR 163
Terça, 10 Outubro 2017 08:10

PRF apreende armas, munições e animais mortos em fiscalização na BR 163

Escrito por Portal OESTADONET

Em uma abordagem realizada na noite desta segunda feira (09), realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), a altura do Km 971 da Rodovia Santarém-Cuiabá, os agentes encontraram em um veículo Toyota Hilux placa OAH 7644 armas de fogo, munições e animais silvestres. Os três ocupantes do veículo foram autuados por porte ilegal de arma de fogo e praticar crimes contra a fauna.

Durante a verificação do veículo foram encontradas quatro espingardas, escondidas na parte traseira do veículo, sem registro. As armas eram de propriedade de José Eredilson Bezerra Silva; Marcos Antônio Pereira da Costa, José Carlos Silva Rodrigues e Erlândia dos Anjos Sousa. Segundo a PRF, os passageiros participavam de uma caçada em uma fazenda localizada no Km 201 da BR 163. Na carroceria do veículo foram encontrados animais silvestres mortos: um veado, dois tatus, 1 cutia e 4 pássaros (dois nambu e 2 mutum), todos mortos e acondicionados em caixas com gelo e um jabuti.

Junto com os animais e armas, os agentes da PRF encontraram, ainda, quase 100 munições e 10 estojos de pólvora.

Os envolvidos foram autuados e encaminhados à Delegacia de Polícia para confecção do Boletim de Ocorrência.

A Polícia  Federal no Pará cumpre 10 mandados de condução coercitiva - dois destes em Santarém-, 11 mandados de sequestros de bens e valores e seis mandados de busca e apreensão em seis municípios paraenses nesta quarta-feira (4) dentro da operação  Anhangá. A ação tem como objetivo desarticular organização criminosa que coordenava extração ilegal de madeiras nobres dentro TI Cachoeira Seca. A operação também é realizada em dois municípios no Paraná. As fraudes chegam a quase R$ 900 milhões.

Segundo informações da Polícia Federal, os mandados de busca e apreensão são realizados em casas/empresas dos investigados. Os mesmos também terão as atividades empresarias suspensas a pedido da justiça Federal de Altamira. As investigações começaram após relatório da Operação Cachoeira Seca, realizada pelo Ibama, que apontou que a  Cachoeira Seca estava sendo alvo de exploração ilegal de madeira por madeireiras clandestinas. Durante as averiguações, foi identificado um grupo empresarial composto por familiares, onde o patriarca era o responsável pela coordenação da extração ilegal de madeira em áreas protegidas. O mesmo escoava a madeira para as empresas do grupo familiar.

Ainda segundo a polícia, para burlar a fiscalização e dar teor legal à madeira, o grupo fraudava créditos florestais por meio de inserção de dados falsos no Sisflora (Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais), além de utilizar Planos de Manejo Florestal de “fachada”. Após isso, a madeira era transmitida entre empresas do grupo até ser exportada por meio de portos de Belém e do Sul do Brasil, como os constantes na cidade de Itajaí e Paranaguá. As madeiras eram enviada para países como EUA, Panamá, Argentina, França, Reino Unido, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul.

Laudo da polícia apontou que a fraude pode ter causado prejuízo de R$ 574.912.424,78 aos cofres públicos,  referente exclusivamente às atividades de extração ilegal de madeira do interior da Terra Indígena e R$ 322.145.395,69 ,  referentes aos produtos florestais extraídos ou destruídos quando da abertura das áreas classificadas como “corte raso”. Isso totaliza o valor de de R$ 897.057.820,47. 

Fonte: Portal ORM

Semas alerta para aumento na incidência de raios no Pará, em outubro
Segunda, 02 Outubro 2017 09:20

Semas alerta para aumento na incidência de raios no Pará, em outubro

Escrito por Agência Pará

O mês de outubro é caracterizado pelo início do período chuvoso nas regiões sul, sudeste e sudoeste do Pará. De acordo com uma previsão climática mensal feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), grande parte dessas regiões terá chuvas com mais frequência e volume neste mês, mas ainda insuficientes para compensar o período de estiagem recente.

Já na porção norte e nordeste do estado, que compreende a Ilha do Marajó, Região da Calha Norte e Região Metropolitana de Belém (RMB), prossegue o período menos chuvoso, com chuvas rápidas e de volumes reduzidos.

Com o início do período chuvoso no sul do Pará, as regiões ainda vão experimentar tempo quente durante o dia, porém, a temperatura vai ficar ligeiramente mais baixa em relação aos últimos quatro meses – chegou a 37 graus em Marabá e Conceição do Araguaia. Agora a tendência é que a temperatura máxima das regiões sul, sudeste e sudoeste do estado permaneçam entre 32 e 34 graus.

A análise feita para o estado inteiro indicou que as maiores temperaturas vão ocorrer na Região Metropolitana de Belém (RMB), que podem alcançar de 36º a 37º graus. No norte e nordeste do Pará, vai chover dentro do esperado, em forma de pancadas no período da tarde e início da noite, com tendência de uma chuva passageira que ainda não caracteriza o período chuvoso.

Segundo Saulo Carvalho, da Diretoria de Meteorologia e Hidrologia (Dimeh) da Semas, a transição do período seco para o mais chuvoso se torna propícia para eventos extremos, como aumento de vendavais e incidência de raios. Isso acontece porque não há muita umidade disponível para a formação de chuvas de grande volume - como acontece no período chuvoso - e a energia é convertida em ventos fortes, rajadas e raios.

“É uma coisa normal e vai ficar dentro do esperado para outubro, mas precisamos tomar certos cuidados: ficar protegidos e abrigados nos momentos de chuva, não ficar embaixo de árvores e não utilizar equipamentos ligados a rede elétrica durante a chuva, por exemplo”, alertou.

Posto de coleta de embalagens de agrotóxicos funcionará antes do prazo determinado pela Justiça de Santarém

A Lei Federal n 9.974, de 2000, obriga o agricultor, o canal de distribuição, o fabricante e o poder público, a ter responsabilidades na destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos.

O Posto de Recebimento de Embalagens no Oeste do Pará está em fase final e deve ser inaugurado nas próximas semanas. O mesmo fica situado no Km 21, em um ramal no município de Mojuí dos Campos. Falta só a Licença de Operação para o mesmo começar a funcionar, e os critérios de construção dele estão dentro dos parâmetros ambientais.

Na semana passada, a justiça deferiu pedido em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Publico estadual em Santarém, e condenou a Associação dos Comerciantes Agropecuários do Oeste do Pará na obrigação de criar a estrutura logística e adequada para descarte.  Há sete anos havia o compromisso firmado de construção do posto de recolhimento de embalagens.

Na decisão, o juiz Flávio Oliveira Lauande, da 6ª Vara Cível, determina prazo de 90 dias para que a Associação cumpra a medida sob pena de multa de R$ 10 mil reais, por dia de descumprimento.

De acordo com a sentença, o Estado do Pará e o municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos são obrigados a fiscalizar o funcionamento do sistema de destinação final, emitir as licenças de funcionamento para as revendas e unidades de recebimento de acordo com a lei, e promover a educação e conscientização dos agricultores e comerciantes quanto as suas responsabilidades dentro do município.

Prefeitura inicia identificação de árvores para coleta de sementes em Santarém

Como próxima etapa do Plano Municipal de Arborização do Município de Santarém,a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), inicia na segunda-feira (2) a identificação de árvores para coleta de sementes.

A ação conta com a parceria da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio).

Equipes formadas por técnicos e acadêmicos da Ufopa sairão às 8h da sede da Semma e devem realizar percursos no bairros centrais, a fim de identificarem potenciais espécies que possam servir como fonte de coleta de sementes.

O Plano faz parte do "Projeto Floresta Urbana" desenvolvido a partir dos levantamentos de acadêmicos de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), na disciplina de Silvicultura Urbana, onde foi identificado a necessidade de um replanejamento da arborização, baseado no número de árvores impróprias para o meio urbano e nos inúmeros conflitos com o mobiliário urbano.

Essas informações contribuirão para a melhoria na interação das atividades mobiliárias particulares, do mobiliário urbano e do acesso humanizado dos pedestres a cidade de Santarém, com sombra e sensação térmica agradável.

Em Santarém aponta-se que existem apenas 17 m² por habitante de cobertura vegetal, arbóreo arbustivo, o que é pouco superior ao recomendado pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana.

Sexta, 29 Setembro 2017 21:33

Ideflor abre vaga para seleção de servidor temporário em Santarém

Escrito por Agência Pará

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), realizará, nos dias 2 e 3 de outubro, as inscrições para o Processo Seletivo Simplificado (PPS), a fim de selecionar candidatos que desempenharão as funções de Técnico em Gestão Ambiental, Assistente Administrativo e motorista.

O preenchimento das vagas é de caráter temporário e voltado para os municípios de São Félix do Xingu, Santarém e Belém. As inscrições serão realizadas através do site do Ideflor-bio (www.ideflorbio.pa.gov.br), sem cobrança de taxa de inscrição.

O processo compreenderá três fases, sendo a inscrição a primeira, de caráter habilitatório; a segunda, análise curricular, de caráter eliminatório e classificatório; e a terceira, com entrevista, também de caráter eliminatório e classificatório.

A jornada de trabalho será de oito horas diárias ou de acordo com conveniência administrativa, totalizando 40 horas semanais em horário estabelecido de acordo com a necessidade da instituição. O contrato administrativo terá duração de 12 meses, a contar da data de sua celebração, podendo ser prorrogado por igual período.

 

Para maiores detalhes sobre as vagas oferecidas e outras informações do edital, acesse: https://goo.gl/oH1KVc. A página para inscrição e acompanhamento do candidato estará ativa a partir do dia 2/10: http://ideflorbio.pa.gov.br/pss2017/

(Agência Pará

Estudo em fios de cabelo, cordão umbilical e placenta revela nível de mercúrio de acordo com padrões da OMS em cerca de 60% de gestantes atendidas pelo SUS em Santarém

Um estudo inédito na região Oeste do Pará investigou a presença de mercúrio, metal pesado altamente tóxico, em mulheres grávidas que utilizam o Sistema Único de Saúde no município de Santarém. A pesquisa foi realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Biociências da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e contou com a parceria do Instituto Nacional para a Doença de Minamata do Japão (NIMD), referência mundial em estudos sobre contaminação de mercúrio.

A coleta dos fios de cabelo das gestantes foi realizada nos meses de setembro e outubro de 2016. Na ocasião, as grávidas também responderam a um questionário socioeconômico para saber sobre seus hábitos alimentares, com enfoque para a ingestão de peixes. Durante os partos, foram coletadas 90 matrizes fetais, sendo 45 cordões umbilicais e 45 placentas.

 

De acordo com a pesquisa, todas as gestantes avaliadas apresentaram concentração de mercúrio no cabelo, sendo 63% dentro dos limites estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1 a 2 microgramas de mercúrio por grama de cabelo. No entanto, 37% das grávidas apresentaram níveis acima do recomendado. "A média que encontramos foi de 1.98 µg/g, aproximada do valor limite. Mas também encontramos valores altos, de 7 a 8 µg/g de mercúrio, em algumas grávidas que consumiam muito peixe em suas dietas", revela Naelka Fernandes.

 

Todo o material coletado foi analisado no Laboratório de Bioprospecção e Biologia Experimental (LabBBex) da Ufopa, que possui parceria com o Instituto Nacional para a Doença de Minamata do Japão (NIMD). Para realizar as análises nas matrizes fetais (cordão umbilical e placenta), Fernandes participou de um treinamento no Japão com o professor Mineshi Sakamoto, um dos diretores do instituto e que realiza pesquisas sobre a presença de mercúrio na Amazônia.

A pesquisa também detectou a presença de mercúrio no material biológico dos recém-nascidos. “O cordão umbilical é um tecido exclusivamente fetal. Então essas mães passaram mercúrio para seus filhos”, conclui Fernandes. O resultado das análises revelou que todos os cordões umbilicais e placentas apresentaram concentração de mercúrio, a maioria dentro dos limites estabelecidos pela OMS.

Leia a matéria completa da jornalista Maria Lúcia Moraes neste link.

Comerciantes de Santarém, Belterra e Mojuí terão que manter estrutura de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos

A justiça deferiu pedido em Ação Civil Pública ajuizada pelo MPPA em Santarém, e condenou a Associação dos Comerciantes Agropecuários do Oeste do Pará (Acaop) na obrigação de criar a estrutura logística e adequada para recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos. O Estado do Pará e o município de Santarém são obrigados a fiscalizar o funcionamento do sistema. A ACP foi ajuizada em 2012 e tramitou até a sentença, emitida no último dia 15 de setembro.

A Ação Civil Pública foi ajuizada pela 13ª promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Santarém e posteriormente acompanhada em conjunto com a 7ª promotoria de Justiça Agrária. Em 2016, foi requisitada a inclusão da Associação dos Comerciantes Agropecuários do Oeste do Pará (Acaop), como polo passivo na ACP. A associação representa os comerciantes de agrotóxicos na região.

No mesmo ano houve a proposição de Termo de Ajuste de Conduta pelo MPPA, mas que não chegou a ser firmado em juízo. Além da ACP, em 2015 a promotoria de justiça Agrária, por meio da titular Ione Nakamura, abriu inquérito civil para apurar a destinação adequada e implantação de logística reversa para as embalagens vazias de agrotóxicos no oeste do Pará.

Em novembro de 2016, no âmbito do inquérito civil, o MPPA expediu recomendação relacionada à comercialização, fiscalização e recolhimento adequado de embalagens vazias de agrotóxicos, nos municípios de Santarém, Belterra e Mojui dos Campos.

Decisão

Na decisão, o juiz Flávio Oliveira Lauande, da 6ª Vara Cível, determina prazo de 90 dias para que a Acaop providencie estrutura física e logística adequada para recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins, sob pena de multa de R$ 10 mil reais, por dia de descumprimento.

Os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem vazia constitua resíduo perigoso, são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Devem ser observadas as normas técnicas previstas pela legislação, podendo a Acaop, entre outras medidas, implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados; disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis, além de atuar em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.

O Estado do Pará e o município de Santarém são obrigados a fiscalizar o funcionamento do sistema de destinação final, emitir as licenças de funcionamento para as revendas e unidades de recebimento de acordo com a lei, e promover a educação e conscientização dos agricultores e comerciantes quanto as suas responsabilidades dentro do município.

A sentença aponta que há pelo menos sete anos iniciou-se a tentativa de construção de um posto de recebimento de embalagens para a região oeste do Pará, uma vez que existem centrais em Paragominas e Marabá. “Desde então, passados anos desde o ajuizamento da ação, nada se resolveu nesse jogo de empurra-empurra, em que todos os agentes deixaram de cumprir com suas obrigações”, diz o juiz. “Logo, coube ao Poder Judiciário mais uma vez decidir e fazer cumprir a lei”, conclui.

O juiz ressalta que o objeto principal da ação é a implementação da logística reversa para esse tipo de produto. “De fato, trata-se de ferramenta de suma importância para minimizar os efeitos danosos ao meio ambiente decorrentes dessas embalagens de agrotóxicos”, afirma. Em junho de 2000, com a criação da Lei Federal n 9.974, o agricultor, o canal de distribuição, o fabricante e o poder público, passaram a ter responsabilidades na destinação final.

PF vai usar drone para combater crimes ambientais no Oeste do Pará
Sexta, 22 Setembro 2017 08:51

PF vai usar drone para combater crimes ambientais no Oeste do Pará

Escrito por Ascom MPF

A Polícia Federal (PF) em Santarém recebeu nesta quarta-feira (20/09) um reforço para o planejamento de operações e para o levantamento de dados sobre crimes ambientais e outras ilegalidades cometidas na região: um drone com capacidade para obtenção de imagens aéreas. O equipamento foi adquirido por meio de multas resultantes de transações penais propostas pelo Ministério Público Federal (MPF) em diversos processos que tramitam na Justiça Federal em Santarém.

O drone adquirido é um Phantom 4 Pro, que vai permitir uma significativa melhora na quantidade e qualidade das informações periciais, explica o chefe da unidade de perícia da PF em Santarém, Gustavo Caminoto Geiser. O trabalho de investigação vai ser auxiliado tanto na facilitação do levantamento de dados em campo, por meio dos sobrevoos do aparelho, quanto pela qualidade dos dados que as imagens permitem obter.

Pelas imagens que o drone é capaz de produzir será possível aos peritos da PF obter informações que antes não seriam registradas apenas com imagens de satélite. Por permitir uma leitura em três dimensões do conjunto de imagens que registra, o drone e um software de processamento – o Agisoft PhotoScandas - vão permitir a identificação, para dar um exemplo, da profundidade das cavas feitas em garimpos ilegais da região do Tapajós. O programa de informática próprio para o processamento dos dados levantados pelo drone permitirá a construção de mosaicos de fotos, o que resultará no mapeamento de grandes áreas.

Além de Santarém, a PF em Vilhena (RO) e Sinop (MT) terão prioridade para uso do equipamento. E, por ter uma tecnologia de ponta, o software associado ao drone adquirido pela PF em Santarém também será utilizado por unidades da PF em todo o país, além de Vilhena e Sinop. "É por meio de soluções criativas e de parcerias como essas que podemos construir estratégias efetivas de combate à degradação ambiental na região", comemora o procurador da República Camões Boaventura, um dos membros do MPF que propuseram as transações penais que patrocinaram a compra do drone.

Área da Renca, entre Amapá e Pará, tem trauma de projetos grandiosos
Sexta, 22 Setembro 2017 08:31

Área da Renca, entre Amapá e Pará, tem trauma de projetos grandiosos

Escrito por Folha de São Paulo

FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A LARANJAL DO JARI (AP).

Povoado do ''Beiradão'', formado por palafitas às margens do Rio Jari, no município de Laranjal do Jari, no Estado do Amapá. A comunidade serve de dormitório para grande parte dos trabalhadores do Projeto Jari, que fica do outro lado do rio, no Pará

Há quatro meses, cerca de 500 funcionários indiretos foram dispensados da Jari Celulose, a maior empresa da região. Concluída em 2014, a usina hidrelétrica Santo Antonio do Jari, chegou a empregar 2.600 trabalhadores, mas hoje funciona com 30 pessoas e é acusada de ter deixado ribeirinhos sem água e luz.

Em agosto, o governo Temer anunciou a extinção da Renca (Reserva Nacional do Cobre Associados) –o presidente adiou por 120 dias a medida, que também é contestada na Justiça–, com o intuito de abrir a região para investimentos privados de mineração. A notícia pegou de surpresa Laranjal do Jari, maior cidade de uma região traumatizada por grandes empreendimentos.

"Laranjal do Jari foi construída sobre palafitas com a criação da Jari Celulose", diz à Folha o prefeito Márcio Serrão (PRB). "Com esse problema que a empresa está passando, existe um desemprego muito grande que vem afetando todo o município: o taxista, o catraieiro [barqueiro], o dono de loja."

Emancipada há 30 anos, Laranjal do Jari (AP) existe por causa do Projeto Jari, um dos mais mirabolantes da Amazônia, comparável apenas à Fordlândia (PA) –fracassada tentativa de produzir borracha para a fábrica de automóveis na primeira metade do século 20.

O Projeto Jari começou em 1967, quando o americano Daniel Ludwig adquiriu 1,4 milhão de hectares para implantar um empreendimento de celulose. Essa área havia sido grilada por um "coronel" do Ceará, segundo pesquisa da geógrafa Maria Luíza de Camargo, que estudou o tema em seu mestrado, na USP.

Em abril de 1978, a fábrica de celulose e uma usina termelétrica chegaram à região após terem sido rebocadas desde o Japão, numa epopeia de quase três meses.

Mesmo com generosos incentivos públicos, o projeto não deu o retorno esperado, e Ludwig se desfez dele em 1982. Desde 2000, a empresa está sob o controle do paulista Sergio Amoroso, que assumiu a dívida de US$ 415 milhões.

De 2013 a 2014, a fábrica foi paralisada para passar por um processo de modernização de US$ 300 milhões. Desde então, segundo moradores, a empresa nunca retomou sua plena capacidade.

Para piorar, em 2015, a Jari Florestal, braço da empresa que explora madeira, foi alvo da Operação Tabebuia, que investigou um esquema para fraudar créditos florestais e esquentar madeira.

"Este é o pior momento. Já foi boa essa Jari", diz o desempregado Raimundo da Silva, 54. Demitido há cinco meses, hoje vive da venda de geladinho pelas ruas.

Metade dos 46 mil moradores de Laranjal, terceira cidade mais populosa do Estado, vive em precárias palafitas. O saneamento básico é zero, em contraste com o distrito de Monte Dourado (PA), do outro lado do rio Jari.

Construído pelo Projeto Jari, Monte Dourado tem casas amplas (muitas vazias e todas conectadas à rede de esgoto) e que às vezes lembram um subúrbio norte-americano. É ali que vive a elite da região.

"O momento é difícil, mas já estamos com 90% de normalidade", disse Amoroso, maior acionista da Jari Celulose.

Sobre as demissões, afirmou que está arcando com custos trabalhistas e que houve um "problema de gestão" da empresa terceirizada, que levou à ruptura de contrato. Ele também afirma que foi induzido ao erro por quem vendeu madeira fraudulenta.

3 HORAS DE LUZ

Distante 12 km da hidrelétrica Santo Antonio do Jari, a comunidade Comaru só tem três horas de energia por dia, dizem os moradores, realocados por causa da inundação provocada pela obra.

Esse não é o único problema do conjunto de 48 casas construído em 2014 pela multinacional EDP (Energias de Portugal) na foz do rio Iratapuru: os ribeirinhos, que vivem da extração da castanha, têm de buscar água no rio em carriolas.

O esgoto nunca foi interligado e, quando chove, parte da rua enche de fezes. Eles reclamam dos mosquitos e da falta de vedação do forro, por onde entram morcegos e ratos.

"Está pior do que antes. Isso aqui era muito lindo, tinha praia, e agora está tudo inundado", diz Aldemir da Cunha, presidente da cooperativa Comaru, que extrai castanha na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Iratapuru. Esta, por não ser uma unidade de proteção integral, pode abrigar projetos de mineração caso o governo extinga a Renca.

Extrativistas e outros habitantes da região ouvidos para esta reportagem afirmaram que não foram consultados pelo governo federal sobre o impacto da extinção da Renca para a região.

Em nota, a EDP informou que "cumpriu todos os pontos de seu plano de compensação socioambiental[...]. A empresa esclarece que a manutenção e operação dos sistemas implementados são de responsabilidade das concessionárias regionais."

Procurada, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) informou que não tem "nenhuma responsabilidade" sobre as instalações elétricas feitas pela EDP.

A Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) afirma que a interligação do sistema tem sido dificultada pela falta de energia, mas que elaborará um projeto em até 90 dias para começar a resolver o problema.

PROJETO JARI

Maior empreendimento da região da Renca

1967
O empresário americano Daniel Ludwig adquire 1,4 milhão de hectares entre o PA e o AP. O obje- tivo era plantar árvores para uma fábrica de papel

1978
Construída no Japão, a fábrica de 17 andares de altura é rebocada até o rio Jari, um percurso de 27.000 km. Cerca de 100 mil hectares haviam sido desmatados pela empresa, que também construiu uma vila a seus funcionários, Monte Dourado (PA)

1982
Após vários problemas, Ludwig vende o projeto a um grupo de empresários brasileiros, com participação do Banco do Brasil

1983
Para proteger reservas minerais de empresas estrangeiras, a ditadura militar cria a Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados), que inclui parte das terras do Projeto Jari

1987
Com a atração populacional, é criado o município de Laranjal do Jari. Primo pobre de Monte Dourado, separados pelo rio Jari, é a terceira maior cidade do Amapá, com 47 mil habitantes

2000
O Grupo Orsa, do empresário paulista Sergio Amoroso, compra o empreendimento. Paga apenas R$ 1, mas assume dívida de US$ 415 milhões

2013 e 2014
A fábrica da Jari Celulose paralisa a produção e passa por reformas de modernização

Pesquisa estuda ciclo reprodutivo da cobra surucucu
Domingo, 17 Setembro 2017 07:42

Pesquisa estuda ciclo reprodutivo da cobra surucucu

Escrito por Folha de São Paulo

Uma surucucu se enrola sobre a coxa esquerda de Diego Padron enquanto ele conta sobre sua pesquisa focada nessa serpente, a Lachesis muta. Outro indivíduo rastejante da mesma espécie se acomoda na tela do notebook do pesquisador.

"Não costumo manuseá-las. Basicamente descrevo o que elas fazem na mata, o que acontece no dia a dia", diz o herpetólogo –que, além da fundo de tela do computador estampado com a serpente, também a "carrega" tatuada na coxa. Ele estuda as surucucus para sua tese mestrado na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus.

Para estudar a maior serpente peçonhenta das Américas –em uma região onde, no ano passado, uma pessoa morreu pela picada e por falta de soro antiofídico–, Padron se embrenha, de noite e de dia, em uma mancha de mata atlântica próxima ao município de Igrapiúna (BA). A rotina já dura oito meses.

O maior exemplar encontrado por ele na região media 2,2 metros. A espécie, porém, pode passar de 3 metros e pesar mais de 15 kg.

Com transmissores de 2,5 cm que são acoplados nos bichos, o objetivo é rastreá-los e conhecer o comportamento do animal na natureza.

O dispositivo é termossensível, permitindo coletar também dados sobre a flutuação de temperatura do animal em relação ao ambiente. "É a primeira pesquisa feita por um período prolongado com a espécie –ninguém mais está disposto a trabalhar com ela", diz Padron.

Carlos Jared, pesquisador do Instituto Butantan que não está envolvido na pesquisa de Padron, diz que possivelmente um dos motivos de ela não ser tão estudada é por ser um "bicho misantropo, brucutu, realmente antissocial", que normalmente vive em matas distantes das pessoas.

L. muta pode ser encontrada na Floresta Amazônica e em algumas partes da mata atlântica, a partir do Estado da Bahia. Segundo Jared, o ciclo reprodutivo é um dos aspectos pouco conhecidos.

E foi exatamente essa questão que despertou o interesse de Padron. A pico-de-jaca é o único viperídeo no qual o desenvolvimento dos ovos ocorre fora do corpo da mãe.

Segundo Giuseppe Puorto, diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan, a serpente também apresenta cuidados parentais: coloca os ovos e se enrola ao redor deles para protegê-los.

No entanto, Padron anda sem sorte: nenhuma das duas fêmeas acompanhadas gerou as aguardadas cobrinhas.

CAÇADA

Inicialmente, o projeto de pesquisa acompanhava seis cobras. Em uma delas, o transmissor estragou e o animal não foi mais encontrado. Outra L. muta foi morta, possivelmente por trabalhadores de seringais da região.

"Há uma questão cultural. É um animal peçonhento e, mesmo que ele não esteja fazendo nada, as pessoas matam", diz o mestrando. Ele afirma que, durante sua pesquisa, de 11 encontros de picos-de-jaca com humanos, só presenciou duas delas saírem com vida.

Dar de cara com essas serpentes pode ser uma experiência não muito agradável, mas trata-se de "um animal temido pelo tamanho, envolto em muitas lendas, mas que não é agressivo, a não ser que você encha muito o saco dele", diz Puorto.

Segundo dados ainda não consolidados obtidos pela Folha junto ao Ministério da Saúde, em 2016 ocorreram 26.485 acidentes por serpentes peçonhentas e não-peçonhentas no Brasil. Destes, eram relacionados à surucucu somente 1,9% dos ataques –524 concentrados em Estados amazônicos.

"Ela, assim como a mata atlântica [só restam 12% da quantidade original], está perdendo espaço", diz Puorto. "São populações isoladas, o que dificulta a preservação."

Se a cobra corre risco, o biólogo também está cara a cara com o perigo, às vezes literalmente, e sem relação alguma com as serpentes estudadas. "Um dia, andando sozinho na mata, vi brilho de olhos. Era uma sussuarana [espécie de felino de grande porte, parente das onças, tigres e leões]."

"Para pesquisar a pico-de-jaca, precisa ser maluco e ter paixão pelo trabalho", afirma Padron.

A pesquisa de Padron se desenrola, com apoio da produtora de pneus Michelin, em uma reserva particular de cerca de 3.000 hectares, com trechos de mata nativa, mantida pela empresa.

Segundo Kevin Flesher, responsável pela restauração ambiental do local, a área protegida funciona como uma espécie de compensação ao desmatamento por conta da produção de látex em outras partes do mundo, como na Indonésia e na Malásia.

Rainha das Américas

A maior serpente peçonhenta do continente

Espécie

Lachesis muta, também conhecida como surucucu, surucucu-de-fogo, surucucu-pico-de-jaca é a maior serpente peçonhenta das Américas

Recebe o nome de pico-de-jaca pela sua pele lembrar a casca de uma jaca

Tamanho

Chega a mais de 3 metros e pode pesar entre 15kg e 20kg

Presas

Medem cerca de 3,5 cm

Reprodução

Desenvolvimento dos ovos é fora do corpo da mãe, ao contrário de outras serpentes da família Viperidae

Elas se enrolam em volta dos ovos

Onde pode ser encontrada

Amazônia e parte da mata atlântica

O jornalista PHILLIPPE WATANABE viajou a convite da Michelin

Foto de casamento no Rio Arapiuns, em Santarém, está entre as 50 mais bonitas do mundo
Sexta, 15 Setembro 2017 08:03

Foto de casamento no Rio Arapiuns, em Santarém, está entre as 50 mais bonitas do mundo

Escrito por João Machado, Agência Santarém

A foto do casal Mariana Ribeiro, 30 anos, e de Otávio Correa, de 33, está entre as 50 melhores fotos de casamento do mundo no concurso Best of the best Destination, da revista digital Junebug Weddings. A foto mostra os dois abraçados numa embarcação sobre o Rio Arapiuns, próximo a Alter do Chão, em Santarém, antes do casamento.

A reportagem foi publicada pelo blog "Enfim sós", da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (12). A foto foi registrada pela empresa "Thrall Photography".

Segundo a reportagem, esta foi a primeira vez que o concurso premiou uma imagem feita no Brasil. Além disso, a foto estampa a capa do álbum das vencedoras.

De acordo com a matéria na Folha de S. Paulo, o casamento aconteceu numa ponta de areia deserta em pleno Rio Arapiuns. Noventa convidados foram até o local numa embarcação de três andares.

O casal é de Curitiba (PR), mas a noiva cresceu em Santarém e os pais dela moram na cidade. Foi uma oportunidade dos amigos e família do noivo conhecerem a natureza da região amazônica.

A reportagem pode ser encontrada neste link.

Sexta, 15 Setembro 2017 07:55

Wagley, Galvão e a Amazônia devastada

Escrito por Lúcio Flávio Pinto

Duas datas importantes para a Amazônia passaram quase em brancas nuvens em 2016: os 90 anos do nascimento do antropólogo americano Charles Wagley e os 50 anos da publicação do principal livro que ele escreveu, Amazon Town: a Study of Man in the Tropics (na tradução brasileira, de Clotilde da Silva Costa, “Uma Comunidade Amazônica - Estudo do Homem nos Trópicos”), um dos merecidos clássicos da bibliografia amazônica.

Felizmente, ontem, a Universidade Federal do Pará realizará hoje, em Belém, uma Jornada Charles Wagley, aproveitando para lançar o livro Legados de Charles Wagley na Amazônia, com ensaios sobre o mestre,infelizmente, apenas na versão eletrônica. Supre, porém, a lacuna imperdoável.

Tanto a vida quanto a obra de Charles Wagley têm importância para nós. Brilhante aluno de Franz Boas nos Estados Unidos, ele trouxe em sua bagagem uma novidade sobre o conhecimento humano, a Antropologia Cultural, formulada por seu mestre, quando veio participar do esforço aliado de guerra, incorporando-se em 1942 ao legendário SESP (Serviço Especial de Saúde Pública), um padrão de excelência que virou escombros e desapareceu.

Na companhia de um discípulo brasileiro tão brilhante quanto ele fora de Boas, o carioca Eduardo Galvão, Wagley transitou entre as comunidades aculturadas de caboclos e os índios, registrando seus modos de vida e suas relações com o mundo exterior no estilo dos melhores intelectuais: texto elegante e observações comprometidas com suas ferramentas teóricas de observação e com a melhoria das condições de vida de seus objetos de estudo.

As relações entre Wagley e Galvão, no Brasil e nos Estados Unidos, no meio da selva ou nos gabinetes da academia, constituem um dos momentos mais ricos da história cultural brasileira do século passado. Escreveram livros que resistem à deterioração do tempo como testemunhos de época e referências permanentes para a compreensão do passado, do presente e do futuro desta enorme e maltratada fronteira.

Através da leitura de Amazon Town, lançada no Brasil três anos depois da edição estadunidense, pode-se penetrar numa comunidade nativa da foz do rio Amazonas (rebatizada como Itá), descobrindo seus segredos e percebendo suas relações sociais, tendo o autor como guia percuciente. Mas não se trata apenas de um excepcional estudo de caso ou um survey bem afinado.

Graças ao seu poderoso equipamento intelectual e a sensibilidade para com os dramas humanos, Wagley não apenas produziu um clássico das ciências humanas, de igual valor aos que Bates e Wallace extraíram das brenhas tropicais para as ciências exatas um século antes, mas uma referência indispensável para entender o passado e o presente da Amazônia, um guia de inquietações e sugestões para antever seu futuro, melhor do que ele se encontra delineado.

Entre as décadas de 1940 e 50, quando viveu e pesquisou na Amazônia, e a de 70, quando a reviu para uma nova apresentação do seu livro, Wagley se defrontou com a maior de todas as novidades surgidas na região, de efeitos literalmente devastadores: as chamadas estradas de integração nacional.

Como ele observou no prefácio à segunda edição brasileira de Uma Comunidade Amazônica, lançada mais de duas décadas depois da primeira (o que dá uma medida da nossa fragilidade editorial), as estradas, além de meio de transporte, eram um poderoso agente de cultura e civilização, ou de incultura e incivilidade, conforme a ótica.

Se, por um lado, essas rodovias significavam “a queda da última barreira mundial à circulação de automóveis e caminhões de transporte, e a conexão com as principais artérias de tráfego do Brasil”, Wagley não podia deixar de também salientar que “um dos mais delicados sistemas ecológicos do mundo, a floresta pluvial amazônica, se acha agora em perigo. Ver-se-á toda a intensidade de vida da região amazônica transladar-se do grande sistema fluvial para as proximidades das rodovias; ao invés das várzeas dos rios, ocupar-se-á a terra firme”.

Ainda que nas várzeas estejam “as terras férteis, pois, anualmente, recebem o limo dos rios, enquanto a terra firme é geralmente pobre para a agricultura”, o novo eixo de conquista era rasgado nas desconhecidas terras altas, atraindo para elas uma intensa migração.

Depois dessas transformações, a Amazônia nunca mais seria a mesma. O problema estava não na mudança em si, elemento constante na história dos homens, mas na mudança para pior:

“Devo admitir que Itá mudou mais do que eu podia imaginar. Essa mudança, porém, não se operou da forma como eu imaginava”, confessa Wagley. Ele não gostaria que de seu prefácio de 1975 emanasse um odor pessimista, mas, aos 62 anos, depois de três décadas de envolvimento com a região, mesmo com seus modos delicados, preocupado em não ferir suscetibilidades entre seus conterrâneos adotivos, via-se obrigado a admitir que se sentia desanimado: “...de fato, até com receio. Parece-me que o Brasil está tentando mudar a Amazônia mais com espírito patriótico do que com o verdadeiro planejamento científico”.

A constatação, válida ontem como hoje, a partir do relacionamento do que os homens fazem na Amazônia e do que a ciência lhes recomenda fazer. Essas são duas paralelas aparentemente condenadas a seguir até o infinito. De um lado, a irracionalidade do processo de ocupação, não só desviado das terras férteis para os solos inconsistentes, com sua cornucópia de efeitos perversos, mas também produto da diretriz da ação:

“O objetivo em longo prazo é a cultura de exportação, não a ocupação da terra”, no sentido da fixação do homem à região de forma saudável, positiva. A nova economia amazônica “tende para a continuidade do extrativismo, mas sob nova forma”.

Do extrativismo vegetal a região passaria para o extrativismo mineral, do qual não resultaria benefício para o seu povo. O verdadeiro progresso só poderia surgir a partir de uma lição da história:

“Uma nova sociedade não pode nascer do nada; deve ser construída a partir de antecedentes históricos. A nova sociedade que o Brasil pretende criar na Amazônia terá por base o conhecimento que o povo dessa região acumulou durante séculos, dos tempos aborígenes ao presente”, diz Charles Wagley, acrescentando que essa “é uma herança rica que jamais deverá ser ignorada na moderna conquista da Amazônia”.

Mas como recuperar esse saber e aduzir-lhe as contribuições do conhecimento científico se as instituições científicas da Amazônia “são débeis, em comparação com as existentes no Sul do Brasil”? Como elaborar modelos de integração do homem à natureza, no momento mesmo em que a fronteira está sendo aberta, e fazer essas diretrizes chegarem e ser adotadas pelas frentes de expansão, se a ciência local é assim tão pouco expressiva?

Mesmo com os choques que sofreu ao voltar à sua utópica Itá, duas décadas depois do primeiro contato, e das tristes notícias que lhe chegavam do Brasil, Charles Wagley tinha consciência de que seu livro amazônico estava acima das turbulências do mundo transitório e da cultura de ocasião. Por sua consistência (e, mais do que por ela, devido a sua estatura humana), surgira para ficar para sempre.

“Ao refletir sobre o passado, sei agora que sou essencialmente um humanista; e chego à conclusão de que este foi um livro humanista com mensagem humanista”, foram suas últimas palavras do prefácio.

A iniciativa da Universidade Federal do Pará pode contribuir para dar a Wagley e fazer o público redescobri-lo, desde que o leitor consiga encontrar, em algum sebo, remanescentes das três edições que essa grande obra teve até agora entre nós. Vai descobrir então porque Amazon Town é valioso para nós. Tão valioso quanto para qualquer cidadão do mundo interessado em saber o que acontece quando o homem devassa uma área nova do planeta.

(Publicado no site Amazônia Real)

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